Para Jaques Wagner, eleição indireta seria pior do que permanência de Temer

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Felipe Dana/AP

    Ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA)

    Ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA)

Ao chegar no 6º Congresso Nacional do PT, aberto na noite desta quinta-feira (1º), em Brasília, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner sinalizou que prefere a permanência de Michel Temer (PMDB) à realização de eleições indiretas para a Presidência da República. Principais bandeiras do partido no evento, as "Diretas Já" e a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pleito também foram defendidas por Wagner.

"Se for eleição indireta, [em caso de saída de Temer] ele tem mais legitimidade do que qualquer outro escolhido pelo Congresso. Pelo menos estava na linha sucessória", disse o petista, que era ministro da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) quando ela foi afastada pelo Senado durante o processo de impeachment e substituída por seu vice, em maio do ano passado.

Apesar de afirmar que não tinha como defender a condenação da chapa de Dilma e Temer pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ele disse esperar uma definição rápida do julgamento, cujo reinício foi marcado para a próxima terça-feira (6). "Deus queira que no dia 6 de junho os ministros do TSE decidam, que nenhum deles peça vista. A incerteza é impossível num país desse tamanho. Não tem como conversar com investidores sem saber quem vai ser o presidente em 15 dias", declarou.

"Eu sempre digo que é melhor um final trágico do que uma tragédia sem fim", continuou Wagner. "Quando a democracia vira questão de conveniência, é que a coisa vai mal. Nós não queremos mais que o Brasil sangre."

"Indiretas, não"

Hoje secretário estadual de Desenvolvimento Econômico da Bahia, chefiado pelo governador Rui Costa (PT), seu sucessor, Jaques Wagner foi enfático ao rechaçar qualquer possível benefício de uma eventual eleição indireta para substituir Temer, que é alvo de inquérito autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de cometer os crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça.

"Quem entrar é pior ainda, independente do nome", declarou. "Não importa quem está sendo cogitado para eleições indiretas, se é Nelson Jobim (PMDB) ou Tasso Jereissati (PSDB). Quem ganha peso para exercer o poder é quem tem voto, mesmo no golpe. Não estou desqualificando o Congresso, mas estão brincando com coisa que não se pode brincar. O que a gente não quer é outro presidente sem a chancela popular", explicou o ex-governador.

Para ele, a democracia brasileira está "comprometida" por essa metodologia. "O sistema que derruba o gabinete é o parlamentarismo. Não defendo, mas eles que tenham coragem de propor [a mudança no regime político]", disse.

O petista lembrou ainda que o peemedebista já disse que não renunciará. "Primeiro a gente precisa combinar com os russos", comentou. "O Lula presidente, na minha opinião, é o melhor não para salvar o PT, mas para o Brasil." 

Na opinião de Wagner, a melhor saída em caso de queda de Temer seria a antecipação das eleições gerais, com mandato de cinco anos, sem reeleição --e sem coligações partidárias. A alternativa, no entanto, depende de mudanças na legislação eleitoral pelo Congresso Nacional, atualmente dominado por aliados do peemedebista.

O congresso do PT, que terá atividades até o sábado (3), quando acontecerá a eleição do novo presidente nacional do partido, discutirá um documento com propostas de resoluções sobre as conjunturas nacional e internacional, além de estratégias políticas e a organização da legenda.

"O país vive uma profunda crise institucional e política, fortemente agravada pelas denúncias contra o presidente golpista e contra o senador [afastado] Aécio Neves (PSDB-MG), escancarando, para parcelas cada vez mais amplas de trabalhadores e jovens, o sentido do golpe e a natureza corrupta do bloco golpista", diz trecho do documento, que tem 35 páginas.

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