Marta elogia ex-assessor de Palocci em declaração a Moro na Lava Jato

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Lucas Lima/UOL

Em declaração escrita ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) disse que Branislav Kontic, ex-assessor de Antonio Palocci, era "dedicado, competente e íntegro". Kontic foi assessor especial do gabinete da Prefeitura de São Paulo entre 2002 e 2004, durante a gestão de Marta, que, então, era filiada ao PT.

"Nada tendo chegado ao meu conhecimento que o desabonasse. Pelo contrário, sempre foi muito elogiado pelas pessoas com quem trabalhava".

Marta é testemunha de defesa de Kontic no processo em que ele é réu ao lado de Palocci, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, e outras quatro pessoas.

A senadora repetiu as afirmações que havia feito a Moro, também em declaração escrita, em março deste ano, em outro processo em que Palocci e Kontic também são réus.

Na ação, Lula é acusado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht. Segundo o MPF, o petista teria recebido propina da empreiteira por intermédio de Palocci, que foi ministro da Fazenda e da Casa Civil durante seu governo.

No total, R$ 75 milhões teriam sido desviados da Petrobras por meio de oito contratos da Odebrecht com a estatal, de acordo com a força-tarefa da Lava Jato. Parte do valor teria sido repassada a partidos e agentes políticos que apoiavam o governo Lula, em especial PP, PT e PMDB.

Os procuradores afirmam que outra parcela do dinheiro, R$ 12,4 milhões, foi usada para comprar um terreno, que seria usado para a construção de uma sede do Instituto Lula. A denúncia diz ainda que o dinheiro de propina também foi usado para comprar um apartamento vizinho à cobertura onde mora o ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP), que é alugado pela família de Lula. Na avaliação dos investigadores, a operação foi realizada para ocultar o verdadeiro dono do apartamento, que seria o ex-presidente.

Por texto

A defesa do ex-assessor de Palocci trocou por uma declaração escrita o depoimento pessoal que a senadora iria prestar a Moro na manhã do dia 22 de junho por meio de videoconferência.

A senadora conheceu Kontic no início da década de 1980, quando ele se casou com Irene Cristina, irmã dela. Os dois se separaram pouco depois. A ex-petista recorda que ele "pertencia a uma família sólida e bem estruturada" e mostrava interesse em política.

Marta diz que só voltaram a se encontrar quase 20 anos depois, quando Kontic foi convidado para exercer o cargo na prefeitura paulista. "Mantinha contato com ele ocasionalmente para o encaminhamento de atividades de sua competência."

Após o trabalho na prefeitura, a senadora disse que não teve mais contato com ele. "Soube que foi ser assessor de Palocci [quando deputado federal], com quem seguiu trabalhando no ministério [da Casa Civil, do governo de Dilma Rousseff (PT)] e, depois, no escritório particular", lembra Marta.

"Durante todo esse tempo, não mantivemos mais contato e nunca soube de nada que depusesse contra sua pessoa ou conduta profissional", encerra a declaração a senadora.

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