Não adianta fazer discurso para plateia, diz ministro nomeado por Temer a relator

Bernardo Barbosa, Felipe Amorim, Flávio Costa e Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

Recém-nomeado para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo presidente Michel Temer, o ministro Admar Gonzaga criticou o relator Herman Benjamin durante o julgamento da chapa Dilma-Temer, nesta quinta-feira (8). Gonzaga afirmou que o relator "que estava fazendo discurso para plateia."

Não adianta ficar fazendo discurso para plateia e constranger um colega."

Ministro Admar Gonzaga

A discussão ocorreu no início da leitura do voto do relator, na retomada do julgamento, após pausa para o almoço. Benjamin citou diretamente Gonzaga, que se manifestou favoravelmente que fossem julgado apenas os aspectos relativos ao caixa 1 da campanha Dilma-Temer para eleição presidencial de 2014.

"Olho para vossa excelência, ministro Admar, que disse que só iria examinar aqui caixa 1, porque caixa 2 não estaria na petição inicial. Eu não estou parafraseando, estou lendo o que está escrito na petição inicial. Então boa sorte no momento que vossa excelência for examinar apenas caixa 1", afirmou Benjamin.

Neste momento, o ministro Admar Gonzaga interrompeu o relator pedindo que fosse respeitada sua posição sobre o caso. "Tenha respeito pelo meu voto. Não precisa ser deselegante", acrescentou.

Herman Benjamin tentou apaziguar os ânimos posteriormente.

Não é para constranger. Nós seremos constrangidos pelos nossos atos. Não é por colegas. Todos nós aqui temos convicção de que não estamos aqui à toa. E não é para constranger colega."

Ministro Herman Benjamin

O relator completou: "Mas, neste caso o esclarecimento era necessário para mostrar que, quando eu vou falar aqui em caixa 2, eu não inventei. Se inventou, foi o doutor Alckmin e a sua equipe, mas não eu, como relator, como ficou a impressão pela manhã", disse Herman Benjamin em referência a José Eduardo Alckmin, advogado do PSDB, partido que moveu a ação contra a chapa Dilma/Temer.

Não me atribua o que eu não disse, diz Gilmar a Herman

Ministro nomeado por Temer

O advogado Admar Gonzaga foi nomeado ministro titular do TSE pelo presidente Michel Temer em março deste ano. Ele substitui o ex-ministro Henrique Neves. Antes de ocupar a titularidade do TSE, ele já atuava como ministro substituto na corte desde 2013.

Logo após sua nomeação, o ministro afirmou que o TSE deve julgar com "responsabilidade política" a ação que pode cassar o mandato do presidente da República e levar à convocação de eleições indiretas pelo Congresso Nacional.

Ele disse ainda que se tratava de "fofoca" as especulações que o apontam como voto favorável a Temer. A indicação de Gonzaga por Temer seguiu a lista tríplice elaborada pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Seu nome foi, posteriormente, referendado pelo Senado.

Julgamento

O TSE chega nesta quinta-feira ao terceiro dia de julgamento da chapa Dilma-Temer. O colegiado de sete juízes avalia a procedência da acusação proposta pelo PSDB e pela coligação Muda Brasil pedindo a cassação da chapa e a inelegibilidade de Dilma por abuso de poder econômico e político.

A ação foi proposta no fim de 2014. No entanto, como Dilma deixou a presidência após o impeachment em agosto de 2016, a cassação da chapa levaria à saída de Temer. Se isso acontecer, o presidente pode recorrer ao próprio TSE e ao STF. A PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral) já se manifestou a favor da cassação da chapa e da inelegibilidade de Dilma por oito anos.

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