Provas revelaram um câncer no financiamento da chapa Dilma-Temer, diz vice-procurador

Bernardo Barbosa, Felipe Amorim, Flávio Costa e Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

Ao defender que os fatos investigados pela Operação Lava Jato estão de acordo com o pedido de abertura de processo da chapa Dilma-Temer, o vice-procurador-geral eleitoral, Nicolau Dino, afirmou que as provas produzidas revelaram um "câncer", em referência ao caixa 2 da campanha presidencial.

A petição inicial apontou a existência de um tumor, a ecografia apontou a existência de um câncer e a cirurgia abdominal demonstrou que na realidade o quadro é de metástase"

Nicolao Dino, representante do MPE no julgamento

O TSE chega nesta quinta-feira (8) ao terceiro dia de julgamento da chapa Dilma-Temer. O colegiado de sete juízes avalia a procedência da acusação proposta pelo PSDB e pela coligação Muda Brasil pedindo a cassação da chapa e a inelegibilidade de Dilma por abuso de poder econômico e político.

Uma delas diz respeito à inclusão de informações prestadas por delatores da Operação Lava Jato, que não teriam relação com a acusação inicial, e por isso deveriam ser descartadas, segundo os advogados de Dilma e Temer. A outra preliminar trata da alegação de que houve cerceamento de defesa. Outras cinco já foram rejeitadas pelos ministros.

Para o representante do MPF, a própria petição inicial "deixa bem claro" trechos referentes ao financiamento de campanhas de empresas investigadas pela Lava Jato, a exemplo da Odebrecht.

"Esses trechos estão grifados e foram distribuídos pelo relator que apontam valores recebidos pelos partidos de empresas investigadas pela Operação Lava Jato", disse Dino.

"O caixa 2 da campanha presidencial de 2014 foi robustecido por R$ 150 milhões, dos quais R$ 50 milhões são créditos da eleição pretérita de 2010, créditos [relacionados] à medida provisória do Refis de 2009. Essas provas que foram produtivas estão contidas na causa de pedir. Antes de verificar se há expansão, portante tem que se verificar as limitações da petição inicial", completa.

"Só não muda de opinião quem já morreu", diz Luiz Fux

Herman critica defesas

O relator do processo que pede a cassação da chapa Dilma/Temer, Herman Benjamin, criticou a tentativa das defesas de Michel Temer (PMDB) e Dilma Rousseff (PT) de impedir a utilização das informações obtidas por meio dos depoimentos de delatores da Odebrecht.

"Qual é o resultado que se pretende aqui? Com esta volta pela causa de pedir, análise superficial da petição inicial vendo apenas o que interessa? Fazendo uma leitura que não confere com o que está nos acórdãos e nas decisões deste tribunal, inclusive sobre o prosseguimento da ação. A razão é uma só. É arrancar toda a prova relativa à Odebrecht. E acho que os eminentes advogados concordarão comigo. Essa é a razão. E ela tem que ficar muito clara desde o início deste debate", disse Herman Benjamin.

Josias de Souza: Temer dá vitória no TSE como favas e olha para a frente

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos