Temer reúne governadores em jantar marcado em festa pós-TSE e convocado pelo WhatsApp

Gustavo Maia e Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Marcos Corrêa/PR

    13.jun.2017 - Ao lado de ministros e de congressistas aliados, presidente Michel Temer (PMDB) recebe governadores e vice-governadores em encontro no Palácio da Alvorada

    13.jun.2017 - Ao lado de ministros e de congressistas aliados, presidente Michel Temer (PMDB) recebe governadores e vice-governadores em encontro no Palácio da Alvorada

Em busca de fôlego em meio à crise política que o atinge há quase um mês, o presidente Michel Temer (PMDB) recebeu 16 governadores em jantar na noite desta terça-feira (13), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Cinco deles são de partidos que fazem oposição ao peemedebista --quatro do PT e um do PSB.

A reunião foi marcada na última sexta (9) durante a festa de aniversário do presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que na prática serviu como evento de comemoração pelo resultado do julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da chapa Dilma-Temer, absolvida por quatro dos sete ministros da Corte.

Na ocasião, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), conversou com Temer e os dois acertaram um encontro com os colegas o mais rápido possível.

"Eu combinei com o presidente essa data porque os governadores estavam querendo falar com ele para levar várias demandas que a gente tem discutido já há algum tempo, que estão sendo tratadas desde que ele assumiu a Presidência", contou Perillo ao UOL, pouco antes de se dirigir ao jantar no Alvorada.

No sábado (10), por volta do meio-dia, o goiano enviou uma mensagem aos outros 26 governadores no grupo de WhatsApp que eles mantêm. "Perguntei se haveria adesão e a reação foi rápida", comentou o tucano. Segundo Perillo, o movimento dos governadores é "suprapartidário", e Temer -- de quem é amigo -- "tem sido extremamente atencioso à pauta" deles.

A avaliação de assessores do Palácio do Planalto é que o governo Temer conseguiu um fôlego depois que ele se livrou da cassação no TSE e com a permanência do PSDB na base aliada, decidida em reunião do diretório do partido nesta segunda (12). Agora, eles dizem, é preciso sentir o "termômetro" em relação aos governadores e avaliar o que pode ser negociado em troca de apoio.

Neste momento, afirmam, o peemedebista tem que mostrar a força do governo se quiser se manter na Presidência e usar de todas as formas de que dispõe para barganhar. A maioria delas vem da área econômica "na medida que dá" pelo fato de que grande parte dos Estados brasileiros enfrentar dificuldades financeiras, disse um interlocutor.

BNDES na pauta

Logo no início do encontro, Temer reconheceu a interferência de Perillo para agendar a reunião e explicou que o principal tema a ser discutido era o refinanciamento das dívidas dos Estados com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"O Marconi até teve esta ideia, de nós nos reunirmos para discutir esse tema. Nós temos um novo presidente do BNDES. E eu apreciaria muito que nós todos pudéssemos ter também uma solução para a questão do BNDES. Há dívidas lá que são garantidas pela União, têm um determinado tratamento, e dívidas não garantidas pela União, que têm outro tratamento", disse o presidente, explicando que o presidente do Banco, Paulo Rabello Castro, que está no cargo há menos de um mês, faria uma breve explanação sobre os planos envolvendo os Estados.

"Eu apreciaria, se todos estiverem de acordo, que ele faça uma preliminar sobre este tema porque o objeto principal, central, desta nossa reunião é exatamente isso. Nós temos que encontrar um caminho que seja saudável para os estados e que também não seja prejudicial para o BNDES e para a União", completou Temer.

Além dos 16 governadores, participam do jantar quatro vice-governadores, parlamentares como o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), e os presidentes do BNDES, Paulo Rabello; da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi; e do Banco do Brasil, Gustavo do Vale. A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, também está no evento.

Quatro dos ministros mais próximos a Temer participam do jantar: Eliseu Padilha (Casa Civil), Henrique Meirelles (Fazenda), Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência), Dyogo Oliveira (Planejamento, Desenvolvimento e Gestão) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo da Presidência).

Veja abaixo os governadores que estão no jantar:

Opositores
 
- Camilo Santana (PT) - Ceará
- Fernando Pimentel (PT) - Minas Gerais
- Rodrigo Rollemberg (PSB) - Distrito Federal
- Tião Viana (PT) - Acre
- Wellington Dias (PT) - Piauí
 
Aliados
 
- Geraldo Alckmin (PSDB) - São Paulo
- Jackson Barreto de Lima (PMDB) - Sergipe
- João Raimundo Colombo (PSD) - Santa Catarina
- José Ivo Sartori (PMDB) - Rio Grande do Sul
- Luiz Fernando Pezão (PMDB) - Rio de Janeiro
- Marcelo Miranda (PMDB) – Tocantins
- Marconi Perillo (PSDB) - Goiás
- Pedro Taques (PSDB) - Mato Grosso
- Reinaldo Azambuja (PSDB) - Mato Grosso do Sul
- Robinson Faria (PSD) - Rio Grande do Norte
- Simão Jatene (PSDB) - Pará
 
Também foram ao jantar os vice-governadores do Maranhão; Carlos Brandão (PSDB); de Pernambuco, Raul Henry (PMDB); do Espírito Santo, César Colnago (PSDB); e de Roraima, Paulo César Quartiero (DEM).

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