Operação Lava Jato

Lula diz que Lava Jato tenta deixá-lo inelegível e espera desculpas

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Eraldo Peres/AP Photo

Às vésperas da decisão do juiz Sergio Moro em ação em que réu na Justiça Federal do Paraná, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (29) que o principal objetivo dos processos contra ele é torná-lo inelegível para as eleições de 2018 e que espera por um pedido de desculpas.

"Já está visível que o processo contra mim é uma tentativa de me deixar inelegível para 2018", afirmou Lula em entrevista à Rádio Difusora do Acre, ao ser questionado sobre uma possível condenação em uma das ações penais que está nas mãos de Moro, responsável pelos processos relativos à Operação Lava Jato na primeira instância.

Segundo o ex-presidente, as acusações contra ele são frágeis e, até o momento, não foi apresentada nenhuma prova concreta. "Estou esperando que provem a minha culpa", afirmou Lula. "Alguém vai ter que me pedir desculpas em algum momento."

Lula foi questionado sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), apresentada nesta semana por Rodrigo Janot, procurador-geral da República.

"Se o procurador-geral da República tem uma denúncia contra um presidente, primeiro precisa provar, tem de ter provas materiais, não basta dizer que ele cometeu um erro --não sei se o procurador tem ou não razão, há uma divergência entre ele e o presidente sobre as provas, mas é preciso ter provas materiais", afirmou.

O ex-presidente disse apoiar a Lava Jato e defendeu a necessidade de a operação "respeitar o Estado do direito", citando como exemplo o grande número de pessoas que teriam sido mantidas presas até aceitarem delatar.

A sentença de uma das cinco ações penais em que Lula é réu pode sair a qualquer momento. Desde o dia 21 de junho, Moro está com os autos do processo para decidir se o ex-presidente é culpado ou inocente.

Nesse processo, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente ter recebido R$ 3,7 milhões em propina por conta de três contratos entre a OAS e a Petrobras. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o pagamento foi feito por meio da reforma de um tríplex no edifício Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo, e do armazenamento, entre 2011 e 2016, de presentes recebidos por Lula, da época que ele era presidente (2003-2010).

"Estou na expectativa de que apresentam uma prova, um sinal, um papel assinado, um cheque, uma impressão digital minha", afirmou Lula.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos