Mesmo com denúncia, Temer prevê mais "um ano e meio de governo"

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

Enquanto a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara avalia a admissibilidade da denúncia contra ele, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou nesta quinta-feira (13) que terá mais um ano e meio e, nesse período, tentará realizar um "sonho". O prazo citado por Temer coincide com o final de seu mandato na Presidência da República.

"Meu maior sonho é que, num dado momento, os jornais televisivos no seu noticiário possam revelar que não há fila em hospital, que há atendimentos nos hospitais. E para isso nós temos mais um ano e meio. De modo que nesse um ano e meio tenho certeza de que você vai conseguir isso no Ministério da Saúde", disse Temer, em evento que contou com a presença do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP).

Em busca de pauta positiva em meio à crise política, o governo promoveu solenidade no Palácio do Planalto para anunciar a reaplicação de recursos do Ministério da Saúde. Segundo a pasta, foram economizados R$ 1,7 bilhão na gestão do ministro Ricardo Barros.

Do montante, R$ 771,2 milhões serão investidos integralmente no SUS (Sistema Único de Saúde). A prioridade será para a Atenção Básica, composta por equipes de saúde da família, consultórios, agentes comunitários e dentistas. O R$ 1 bilhão restante será dedicado à compra de novas ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e de outros veículos para a saúde.

"A economia é para fazer mais com o mesmo", disse o ministro.

Segundo Ricardo Barros, ao todo, foram economizados R$ 3,5 bilhões no primeiro ano de sua gestão. Isso foi feito por meio de redução média de 20% nos 873 contratos e convênios do ministério, como compras de medicamentos e vacinas. Serviços de informática e de transporte da pasta também foram analisados e modificados para a economia do dinheiro público.

Ao se referir à economia de recursos promovida pelo ministério, Temer reforçou que sua gestão conta com apenas 14 meses e está realizando ações que demandariam até oito anos. "Portanto, estamos fazendo oito anos em 14 meses. Não tenho dúvida disso", disse.

Temer também aproveitou a oportunidade para dizer que houve "ousadia" por parte do governo nas reformas propostas do Planalto e citou algumas já aprovadas, como a reforma do ensino médio e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos.

Ele então defendeu a reforma trabalhista, aprovada nesta terça-feira (11) no Senado e que será sancionada nesta quinta (13), porém, questionou a validade de quem faz críticas ao texto sem lê-lo e estudá-lo de forma aprofundada.

"Volto a dizer que as pessoas não estão preocupadas com o conteúdo. A luta é política, então vamos à luta", declarou.

Nesta quinta, a CCJ da Câmara continua o debate sobre a denúncia contra Temer apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A vontade do governo era de que o parecer a favor do prosseguimento da denúncia fosse votado na CCJ ainda nesta quinta ou, no máximo, nesta sexta (14). Assim, a votação no plenário poderia acontecer até segunda-feira (17).

No entanto, o presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), contrariando o Planalto, permitiu que todos os membros do colegiado pudessem discursar. Nesta quarta, 68 deputados falaram, com direito a xingamentos e bate-boca.

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