Temer diz ver 'entusiasmo extraordinário' em meio a 'suposta crise'

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

Em evento no qual sancionou a reforma trabalhista nesta quinta-feira (13), o presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou que, nas últimas semanas, tem percebido "entusiasmo extraordinário" em meio ao que chamou de "suposta crise".

"Nestas últimas semanas, exatamente e precisamente, em função de uma suposta crise, o que tem acontecido é um entusiasmo extraordinário", afirmou.

Ele se referia a "palmas verdadeiras" que teria recebido em evento na manhã de hoje ao lado do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), no Palácio do Planalto. Nesta quinta, o governo anunciou a reaplicação de recursos do Ministério da Saúde. Segundo a pasta, foram economizados R$ 1,7 bilhão na gestão do ministro Ricardo Barros e o montante será investido no SUS (Sistema Único de Saúde), especialmente para a atenção básica e a compra de ambulâncias.

A declaração acontece no dia em que a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados vota parecer favorável do relator da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Temer. O relatório que recomenda a aceitação da denúncia foi rejeitado pela comissão.

Em discurso, Temer também voltou a dizer que não está há oito anos no poder, mas há 14 meses, e exaltou as ações tomadas por sua gestão. "Com toda modéstia de lado, estamos revolucionando o país. Fizemos a reforma trabalhista, do ensino médio".

Ao mesmo tempo em que fala em "suposta crise", Temer disse, sem citar nomes, que agentes do Judiciário agem em linha com suas ideologias, o que desestabiliza o país.

"Vejo que, ao longo do tempo, passionalizou-se praticamente todas as questões que vão ao Judiciário. As pessoas às vezes, ao invés de aplicar rigidamente a ordem jurídica, sem qualquer emoção ou sem qualquer ideologia, fazem-no segundo a sua ideologia, seus sentimentos psicológicos ou sociológicos, que seja. E isso naturalmente quebra a higidez da ordem jurídica e naturalmente instabiliza o país."

Ausência de Rodrigo Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não compareceu à solenidade no Planalto, como costumava fazer. Este é o terceiro dia seguido que Maia não foi a uma cerimônia promovida por Temer. Nesta terça (11) e quarta (12), embora constassem na agenda oficial, ele não esteve presente nos eventos programados. Já nesta quinta, a solenidade da reforma trabalhista nem constou na agenda dele.

Normalmente, mesmo que por formalidade, o presidente da Câmara é convidado para eventos do tipo. No entanto, segundo um assessor de Temer, nas atuais conjunturas políticas, "é melhor mesmo que ele não comparecesse". Durante discurso na cerimônia de sanção da reforma trabalhista, Temer fez questão de ressaltar a presença dos cerca de 20 ministros dada a importância da matéria.

Questionado pelo UOL sobre a ausência de Maia após a cerimônia, o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), falou que "importante é o presidente sancionar [a reforma trabalhista]" e que "todas as pessoas foram convidadas".

A reforma trabalhista foi enviada ao Congresso Nacional em dezembro do ano passado e aprovada pelo Senado nesta terça. A aprovação final pelo Congresso era a última etapa do processo para que a reforma pudesse ser sancionada por Temer. O texto foi assinado na íntegra, sem vetos. Alterações ficarão por conta de uma MP (Medida Provisória) a ser editada pelo Planalto.

Mais cedo, em outra cerimônia no Planalto, o presidente disse que as críticas ao texto não estão "preocupadas com o conteúdo" e o que se trava, na verdade, é uma "luta política" para fazer o trabalhador brasileiro acreditar que perderá direitos.

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