Pivô do mensalão, Marcos Valério vai para cadeia em que preso fica com chaves

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Frederico Haikal/Hoje Em Dia/Estadão Conteúdo

    16.nov.2013 - O empresário Marcos Valério, operador do mensalão, chega ao IML

    16.nov.2013 - O empresário Marcos Valério, operador do mensalão, chega ao IML

Quatro meses após tentar uma delação premiada com o MPF (Ministério Público Federal), o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado a 37 anos e cinco meses de prisão em regime fechado, foi transferido nesta segunda-feira (17) para a Apac (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) de Sete Lagoas (MG), a 75 Km de Belo Horizonte.

Valério foi preso e condenado em 2012 pelo seu envolvimento no esquema do mensalão do PT para a compra de votos de parlamentares que ocorreu durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de ter sua delação negada pelo MPF, o publicitário passou a negociar nova delação com o MP (Ministério Público) e a PF (Polícia Federal) de Minas Gerais.

Valério cumpria pena no Presídio Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana da capital mineira. Organização civil de direito privado, vinculada ao TJ-MG (Tribunal de Justiça), as Apacs oferecem uma forma alternativa de cumprimento da pena. Nessas unidades, os próprios presos cuidam do ambiente e, obrigatoriamente, estudam e trabalham. Não há tempo ocioso. A maior parte dos detentos tem a chave da porta da cela. Os agentes de segurança não andam armados.

O goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado pela morte de Eliza Samúdio, foi um dos presos famosos que passaram pelo sistema das Apacs. "A Apac é uma obra de Deus", disse o ex-goleiro do Flamengo, no dia em que deixou a unidade de Santa Luzia.

O advogado do publicitário, Marcelo Leonardo, confirmou nesta terça-feira (18) a transferência, mas se negou a comentar se ela teria alguma relação com a oferta de delação. Ele explicou que a Justiça concedeu o benefício pelo fato da mulher do publicitário morar no município.

Valério apresentou anexos de sua proposta de delação premiada no âmbito de um esquema de corrupção semelhante, o chamado mensalão tucano. O documento foi protocolado no MP mineiro em fevereiro e repassado ao procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Antônio Sérgio Tonet, que designou uma procuradora para analisar o conteúdo.

Réu também no mensalão tucano, Valério faz uma narrativa sobre o esquema de corrupção nos desvios de recursos públicos de estatais mineiras para a campanha à reeleição do então governador Eduardo Azevedo (PSDB), em 1998, que acabou derrotado pelo ex-governador e ex-presidente Itamar Franco (1930-2011).

Azeredo recorre em liberdade de uma sentença de 20 anos de prisão e nega recorrentemente ter sido beneficiado por ações ilícitas. O UOL entrou em contato com a defesa de Azeredo, mas não obteve retorno até o momento.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos