"Nunca fizemos tanto quanto nesses últimos 40 dias", diz Temer

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), rebateu nesta quinta-feira (20) críticas que, segundo ele, afirmavam que o Brasil "iria parar". "As pessoas dizem naturalmente: 'Ah, o Brasil parou etc., não vai fazer nada'. Interessante que nunca fizemos tanta coisa quanto nesses últimos 40, 50 dias", afirmou o presidente.

Contando votos na Câmara para barrar a admissibilidade da denúncia por corrupção passiva contra ele, Temer também elogiou o trabalho dos parlamentares. "O Congresso Nacional também tem colaborado muitíssimo para que o governo vá adiante", disse.

O presidente ressaltou medidas provisórias aprovadas pelo parlamento no último mês junto às reformas propostas pelo governo, como a trabalhista, e à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do teto de gastos públicos. Temer disse que, no início de sua gestão, críticos chamavam a PEC do teto de "PEC da morte", mas que o anúncio de investimentos da pasta da saúde mostra que a área é uma das prioridades e não será prejudicada.

"Quero registrar isso para que não sejamos arautos do catastrofismo", acrescentou.

Embora tenha exaltado em seu discurso a "eficiência" de sua gestão, o governo deve anunciar ainda nesta quinta um aumento sobre impostos na tentativa de diminuir o déficit e não ter de mudar a meta de déficit fiscal de R$ 139 bilhões. Atualmente, o rombo para este ano é estimado em R$ 145 bilhões. O alvo de reajuste deverá ser o PIS/Cofins, que incidem sobre os combustíveis.

Este foi o segundo evento no período de uma semana em que Temer anuncia a reaplicação de recursos do Ministério da Saúde. Hoje, foi anunciada a reaplicação de R$ 344,3 milhões economizados pela pasta para a saúde bucal no SUS (Sistema Único de Saúde). A iniciativa permitirá a compra de 10 mil cadeiras odontológicas, contratação de 2.299 novas equipes e o credenciamento de 34 Unidades Odontológicas Móveis. Parte desse montante --R$ 89,9 milhões--, porém, já havia sido anunciado na semana passada.

Na última quinta-feira (13), o governo promoveu solenidade no Palácio do Planalto para anunciar o investimento de R$ 1,7 bilhão no SUS e na compra de ambulâncias e outros veículos para a saúde. No mesmo dia, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara avaliava a admissibilidade da denúncia contra Michel Temer apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

De acordo com a pasta, foram economizados R$ 3,5 bilhões na gestão do ministro Ricardo Barros. Houve uma redução média de 20% nos 873 contratos e convênios do ministério, como compras de medicamentos e vacinas, informou. Serviços de informática e de transporte da pasta também foram analisados e modificados para a economia do dinheiro público.

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