Operação Lava Jato

Defesa rebate MPF, mostra passagem e diz que Bendine não planejava fuga

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Recibo mostra compra de passagem de volta

    Recibo mostra compra de passagem de volta

A defesa do ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine rebateu as informações dadas nesta quinta-feira (27) pelo MPF (Ministério Público Federal) de que o empresário embarcaria para Portugal amanhã apenas com uma passagem de ida. Bendine é o principal alvo da operação "Cobra", deflagrada hoje pela Polícia Federal. 

O procurador Athayde Ribeiro Costa afirmou na manhã de hoje que a investigação havia detectado apenas um bilhete de ida para a Europa em nome do ex-presidente da Petrobras. "Bendine tem nacionalidade italiana e os operadores possuem negócios consolidados em Portugal. É concreto o risco à ordem pública. Bendine tinha passagem para Portugal marcada para amanhã e as informações dão conta de que André Gustavo também tinha passagem marcada para a data de hoje", contou. 

O advogado Pierpaolo Bottini enviou à reportagem do UOL duas imagens que seriam de comprovantes da passagem de volta de Bendine, programada para o dia 19 de agosto, em um voo direto de Lisboa ao aeroporto de Viracopos, em Campinas. Bendine viajaria com mais três familiares. "O documento mostra claramente que havia passagem de volta, de forma que não existem motivos para suspeita de fuga ou evasão", afirmou Bottini.

Bottini já havia afirmado, logo após a prisão de Bendine, que a detenção temporária do seu cliente era "desnecessária". "Desde o início das investigações, Bendine se colocou à disposição para esclarecer os fatos e juntou seus dados fiscais e bancários ao inquérito, demonstrando a regularidade de suas atividades. A cautelar é desnecessária. É arbitrário prender para depoimento alguém que manifestou sua disposição de colaborar com a Justiça desde o início", afirmou Bottini ao UOL.

O UOL entrou em contato com o MPF para comentar as imagens. O órgão afirmou que durante a coletiva de imprensa, dada nesta quinta-feira (27), o procurador da República Athayde Ribeiro Costa já havia dito que "poderia, sim, ter uma passagem de volta".

Bendine foi preso temporariamente hoje por agentes da Polícia Federal em Sorocaba, no interior de São Paulo, durante a 42ª fase da Operação Lava Jato, denominada Cobra – em referência ao codinome dado ao principal investigado nas tabelas de pagamentos de propinas do chamado setor de operações estruturadas da Odebrecht. Ele ficará preso em Curitiba.

O empresário André Gustavo também foi preso na manhã de hoje no Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife. Ele embarcaria para Brasília, e, posteriormente, seguiria à Europa, ainda nesta quinta. O irmão dele, Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, por sua vez, foi preso em casa também na capital pernambucana. A reportagem não localizou os advogados de André e Antônio até a última atualização. 

As acusações

As investigações da PF apontam que Bendine e pessoas ligadas a ele teriam solicitado vantagem indevida, em razão dos cargos exercidos, para que a Odebrecht não viesse a ser prejudicada em futuras contratações da Petrobras. Em troca, o grupo empresarial teria efetuado o pagamento de ao menos R$ 3 milhões, em espécie. Ainda de acordo com a PF, os pagamentos só foram interrompidos depois da prisão de Marcelo Odebrecht, em junho de 2015.

Bendine esteve à frente do Banco do Brasil entre abril de 2009 e fevereiro de 2015, quando deixou o banco para assumir a presidência da Petrobras. O executivo renunciou ao cargo de presidente-executivo da Petrobras em carta enviada ao Conselho de Administração em maio de 2016.

Segundo o MPF-PR (Ministério Público Federal), há evidências indicando que um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões foi feito por Aldemir Bendine na época em que era presidente do Banco do Brasil para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial. Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, executivos da Odebrecht que celebraram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, teriam negado o pedido de propina porque entenderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar o financiamento.

Além disso, há provas apontando que, na véspera de assumir a presidência da Petrobras, Bendine voltou a solicitar propina a executivos da Odebrecht para que a empresa não fosse prejudicada em contratos com a petroleira. Delatores indicam que, desta vez, a Odebrecht aceitou pagar a propina de R$ 3 milhões. O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada uma, em São Paulo. Esses pagamentos foram realizados em 2015.

Citações a Bendine

Em janeiro, o jornal "Estado de S. Paulo" revelou que a PGR viu indícios de que Bendine tenha participado de suposto esquema ilícito de compra de debêntures (títulos da dívida) da OAS quando comandava o Banco do Brasil. A empreiteira é suspeita de pagar vantagens indevidas a políticos, entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em troca de destravar investimentos de fundos de pensão e bancos em papéis da construtora.

As citações a Bendine aparecem em trocas de mensagens entre o ex-executivo da OAS Léo Pinheiro com Cunha e outros dirigentes da empresa entre 2012 e 2014. Bendine teria negociado com a OAS, em outubro de 2014, a aquisição de debêntures de R$ 500 milhões.

Em fevereiro de 2015, Bendine foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para substituir Graça Foster na presidência da Petrobras.  Condenado por corrupção e lavagem dinheiro pelo juiz federal Sergio Moro em dois processos da Lava Jato, que tramitam na 13ª Vara Federal de Curitiba, Cerveró firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

Após também firmar acordo de delação premiada, o senador Delcídio do Amaral pediu desligamento do PT e enfrenta o processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética do Senado.

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