Lula não vê força da esquerda fora do PT e critica dissidência: "É como briga de casal"

Luís Adorno

Do UOL, de São Paulo

  • Eduardo Anizelli/Folhapress

    Crítica aos dissidentes seria estratégia para reaproximação e aumento de força da esquerda para 2018

    Crítica aos dissidentes seria estratégia para reaproximação e aumento de força da esquerda para 2018

Considerado com o único nome do PT para as eleições presidenciais de 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas na manhã desta segunda-feira (31) a dissidentes do partido, como o PSOL. "Com toda a desgraça que aconteceu com o PT de janeiro a junho deste ano, reparem que não surgiu nada fora do PT. As pessoas que ficaram com raiva do PT é como briga de casal: os dois se separaram, mas nenhum dos dois arrumou outro. Estão esperando voltar", disse Lula em evento na Fundação Perseu Abramo, em São Paulo.

Sem citar nomes, o ex-presidente voltou a denunciar suposta tentativa de "destruir o mais importante partido político de esquerda que já existiu no Brasil" e alfinetou dissidentes do partido. "Aqueles que discordam do PT... Somos melhores que o perfeccionismo deles", disse.

Por isso, ao lado da presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lula convocou a militância a "voltar a ir para a rua". "Esse é o desafio do PT. Voltar a ser o partido mais moderno, da juventude, mais rebelde nas ações e, ao mesmo tempo, mais sensato na condução das suas propostas", afirmou.

Para o ex-presidente, no primeiro semestre do ano, o PT recuperou "parte do tempo perdido", indo às ruas e fazendo oposição ao governo de Michel Temer (PMDB). "O PT tem que aprender que tem que ir para a rua, conversar com as pessoas e movimentos sociais. Não é voltar às origens, não. É voltar a ser o PT", argumentou.

De olho em 2018

Um dia após a condenação de Lula a nove anos de prisão, sob a acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o PT passou a fazer uma ofensiva em defesa ao ex-presidente, fazendo seu pré-lançamento como candidato à Presidência da República no ano que vem. O próprio ex-presidente já afirmou que, "se puder", será candidato. A crítica aos dissidentes do PT seria uma estratégia para uma reaproximação e aumento de força da esquerda para 2018.

Amigo pessoal de Lula e ex-ministro de seu governo, Gilberto Carvalho afirmou no último dia 13 que o PT não considera a hipótese de que Lula não seja o candidato do partido no ano que vem. Lula só ficaria inelegível, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, se vier a ser condenado por decisão dos desembargadores do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). "Ele vai concorrer", disse Carvalho.

O mesmo discurso é feito pela presidente da sigla, Gleise Hoffman. Em diversas oportunidades de falas públicas, entre eventos do partido e manifestações, a senadora afirma considerar "uma eleição sem Lula, uma fraude".

Os líderes do partido na Câmara, o deputado federal Carlos Zarattini (SP), e no Senado, o senador Lindbergh Farias (RJ), também ressaltaram, logo após a condenação, o fato de Lula agora ser pré-candidato do PT à Presidência. "Essa é uma hora que a gente tem que ter muita garra, convicção. Tenho convicção de que ele vai ser o próximo presidente da República", disse Farias.

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