Lula não interferiu em escolha de caças, dizem à Justiça comandantes da Aeronáutica

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Saab

    Novo caça multiuso da Força Aérea Brasileira (FAB), o Saab Gripen 39E

    Novo caça multiuso da Força Aérea Brasileira (FAB), o Saab Gripen 39E

Em depoimento à Justiça Federal, o brigadeiro Juniti Saito, ex-comandante da Aeronáutica (2007 a 2015), afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tentou influenciar no processo de compra dos caças suecos Gripen para a Força Aérea. "Ele respeitava a opinião nossa [da Força Aérea]", disse Saito.

O brigadeiro afirmou acreditar que Lula manifestava preferência pelos caças franceses, mas que deixou a decisão para sua sucessora, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que anunciou a escolha pelo modelo Gripen num evento em dezembro de 2013.

Ao afirmar que Lula preferia o caça francês, Saito foi questionado pelo advogado de defesa do petista José Roberto Batochio se Lula então teria "perdido" na escolha dos caças.

"Ele perdeu. Ele deixou a decisão para a presidente Dilma", afirmou o ex-comandante da Aeronáutica.

Em outro depoimento dado hoje à Justiça Federal, o atual comandante Nivaldo Luiz Rossato também afirmou que o ex-presidente Lula não interferiu no processo de escolha dos caças.

Rossato e Saito prestaram depoimento na ação penal em que Lula é acusado pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa, processo que teve origem nas investigações da Operação Zelotes.

Além de Lula, também viraram réus nesse processo o filho dele, Luis Cláudio, e dois empresários, Mauro Marcondes e Cristina Mautoni.

A denúncia aponta a atuação de Lula junto aos lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni no processo da compra de 36 caças do modelo Gripen pelo governo brasileiro e na prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627.

Os casos ocorreram entre 2013 e 2015, quando Lula já não era presidente -- à época, a presidente era a também petista Dilma Rousseff, ex-ministra dos governos Lula.

Para o advogado de Lula, José Roberto Batochio, os depoimentos "fulminam" a tese da acusação. "Os depoimentos de hoje fulminam essa suspeita. Que era uma suspeita que gravitava na esfera da imaginação, das suposições", disse.

Segundo o MPF, na condição de ex-presidente, Lula integrou um esquema que vendia a promessa de que ele poderia interferir junto ao governo para beneficiar as empresas MMC, grupo Caoa e Saab.

Essas empresas eram clientes de Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia Ltda (M&M), escritório de lobby do casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni.

Em troca, segundo o MPF, Mauro e Cristina, donos da M&M, repassaram a Luis Cláudio pouco mais de R$ 2,5 milhões.

O que diz a defesa

Quando a denúncia foi apresentada pelo MPF, o advogado Cristiano Zanin Martins, da defesa do ex-presidente Lula, afirmou que esta seria "mais uma acusação frívola contra o ex-presidente e seus familiares".

Zanin disse ainda que a denúncia "faz parte de uma tática de tentar desconstruir a imagem de Lula e de prejudicar a sua atuação política".

A Operação Zelotes

A Operação Zelotes teve início com a investigação de um esquema de manipulação de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão que é vinculado ao Ministério da Fazenda e é a última instância administrativa de recursos referentes a impostos e multas de contribuintes.

De acordo com as investigações, diversas empresas participaram de um esquema envolvendo o pagamento de propina a conselheiros para que manipulassem resultados dos julgamentos.

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