PMDB fechar questão pró-Temer "é tatuar deputados com a ameaça do governo", diz Renan

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Renato Costa/Folhapress

    Decisão anunciada por Romero Jucá (e) irritou Renan Calheiros (d)

    Decisão anunciada por Romero Jucá (e) irritou Renan Calheiros (d)

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) criticou nesta terça-feira (1º) a decisão do partido de fechar questão pela rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Calheiros declara que "o PMDB é amplo, democrático, nunca fechou questão nem contra nem a favor" e que, "por isso, sobreviveu".

No final da manhã desta terça-feira, o presidente do partido, Romero Jucá, anunciou que o PMDB fechara questão para rejeitar a denúncia contra o presidente Temer que será votada amanhã, no plenário da Câmara. O senador também indicou que o deputado que descumprir a determinação da bancada, poderá ser punido.

"O PMDB Nacional fechou questão em relação à votação da denúncia contra o presidente Temer", escreveu Jucá em seu perfil no Twitter. "Reafirmo que, como presidente do partido, qualquer ato em contradição a essa decisão sofrerá consequências", disse. 

A decisão irritou Renan Calheiros, que já foi presidente do PMDB e líder do partido no Senado. "Fechar questão agora é tatuar deputados com a marca, com a ameaça, com a pressão, com o ferro de um governo que aprofunda as dificuldades do país", atacou o alagoano, que desde o primeiro semestre vem fazendo críticas frequentes ao governo Temer.

Outro nome que criticou a decisão anunciada pelo senador Romero Jucá foi o deputado Rodrigo Pacheco (MG), presidente da CCJ. Na época em que a denúncia foi apreciada na Comissão de Constituição e Justiça, ele se absteve de votar, tanto no relatório favorável à investigação, de Luiz Zveiter (PMDB-RJ), quando no contrário à denúncia, de Abi-Ackel (PSDB-MG).

"É um erro o partido 'fechar questão' num tema que não é um projeto de lei, uma reforma importante para o País ou algo que contrarie os princípios da agremiação", disse Pacheco em nota. "Estamos diante de uma inédita denúncia criminal contra o Presidente, cujos critérios de autorização ou não são muito íntimos e próprios de cada deputado. Punir deputado por votar sim ou não nisso é o fim da representatividade política".

Às 9h desta quarta, a Câmara dos Deputados dá início à sessão que pode definir se os deputados autorizam que o STF (Supremo Tribunal Federal) analise e julgue a denúncia por corrupção passiva apresentada contra o presidente pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Para que a matéria seja posta em votação, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entende que é preciso haver pelo menos 342 deputados com presença registrada no plenário. A base aliada conta com 411 deputados, mas, na prática nem todos devem votar a favor de Temer ou marcar presença.

Em busca dos votos de que precisa no plenário, Temer intensificou os encontros com políticos aliados. Quando não pode se encontrar pessoalmente com um parlamentar por falta de tempo ou outros compromissos programados, Temer telefonou para o alvo e tentou convencê-lo a não se posicionar a favor da denúncia. Nas audiências e nas ligações, o argumento de Temer é que a peça da PGR não tem sustentação jurídica e apresenta as principais linhas de sua defesa.

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