Em 2º evento para empresários, Temer diz que "catastrofistas" não vão parar o país

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O presidente Michel Temer (PMDB) disse nesta terça-feira (8), em seu segundo evento para empresários em São Paulo, que "catastrofistas" não vão parar o país. O presidente ainda defendeu as medidas adotadas por seu governo desde maio, quando a delação da JBS colocou o país em uma profunda crise política. Para Temer, a denúncia de corrupção passiva contra ele feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República) não conseguiu interromper a agenda do governo.

"Nesses quase 70 dias da suposta crise produzida, o país não parou", afirmou Temer, citando a reforma trabalhista e a transformação em lei de "12 ou 14" medidas provisórias. "Ninguém vai paralisar o país, por mais esforço que façam, por mais catastrofistas que sejam as suas falas, não vão parar o país."

Segundo Temer, "quando você fica dentro da sala da Presidência da República, recebendo notícias, lendo notícias, parece que as coisas vão muito mal", mas "o Brasil real é outra coisa".

"Isso é o que nos anima. Quando voltamos a Brasília, voltamos fortalecidos pelo otimismo brasileiro", disse o presidente, cujo governo foi avaliado como ruim ou péssimo por 70% dos entrevistados em pesquisa Ibope divulgada no fim de julho.

A delação da JBS veio a público em meados de maio, e Temer foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por corrupção passiva no fim de junho. O presidente se defendeu dizendo que a denúncia não tinha provas e era uma "ficção".

Na semana passada, após intensa articulação política e liberação de bilhões em emendas parlamentares, a Câmara aprovou o arquivamento da acusação enquanto Temer estiver na presidência.

Há a expectativa de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente em breve nova denúncia contra Temer, desta vez por obstrução de Justiça. Segundo reportagem da "Folha de S. Paulo" publicada nesta terça, o presidente deve rebater a nova acusação dizendo que é alvo de "perseguição política" e pode pedir a suspeição de Janot.

Promessa de retomada do emprego

O presidente afirmou também que é necessário "produzir uma mudança na cultura política do país". De acordo com Temer, as críticas feitas a iniciativas de governos costumam ser políticas. "Quando você lança um projeto qualquer, as pessoas não combatem o conteúdo, não combatem o mérito", declarou.

Nesse sentido, Temer citou a oposição à aprovação do teto de gastos públicos e da reforma do Ensino Médio. O presidente disse ainda que a reforma trabalhista foi feita "em benefício do trabalhador e do empresariado".

Sobre o desemprego --que atinge 13,5 milhões de brasileiros, segundo o IBGE--, Temer disse que os dados de emprego são "ainda modestos", mas afirmou que os números dos últimos três meses são positivos.

"A partir de setembro, vai crescer muito o combate ao desemprego", disse o presidente.

As declarações de Temer foram dadas em discurso durante o lançamento do Produlote, uma linha de crédito da Caixa de R$ 1,5 bilhão para o financiamento de lotes urbanizados. Os recursos são destinados a empresas com faturamento anual superior a R$ 15 milhões. A linha de crédito foi lançada em evento na sede do Secovi-SP, sindicato que representa o setor imobiliário paulista.

De manhã, o presidente foi ao congresso da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), em seu primeiro compromisso público com o setor privado desde o fim de maio. Em busca de apoio para a aprovação de reformas, como a previdenciária, o presidente deve retomar os eventos com empresários e representantes do setor financeiro depois de passar os últimos dois meses na frente política, angariando votos na Câmara para interromper a tramitação da denúncia por corrupção passiva feita pela PGR.

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