Lula diz que pode atuar até como cabo eleitoral e avisa: "vão me aguentar por muito tempo"

Venceslau Borlina Filho

Do UOL, em São Paulo

  • RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    O ex-presidente Lula durante encontro com petistas na zona sul de São Paulo na sexta (4)

    O ex-presidente Lula durante encontro com petistas na zona sul de São Paulo na sexta (4)

Em viagem pelo Estado de São Paulo antes de partir em caravana pelo Nordeste no próximo dia 17, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou reforçar junto à militância nesta terça-feira (8) a "luta" pela manutenção de conquistas adquiridas nos governos do PT.

Em um recado aos opositores, o líder petista afirmou que dispõe de muita energia para lutar e que, se não puder ser candidato, atuará como cabo eleitoral. Lula esteve à tarde em Jundiaí, no interior paulista, e à noite em Franco da Rocha, na Grande São Paulo.

"Alguma coisa eu vou fazer nesse país", disse Lula. "Eles [opositores] devem estar pensando: 'O Lula já encheu o saco da gente por 40 anos, ele já está com 71 anos e daqui a pouco vai embora'. Mas eu quero dizer que vocês vão me aguentar por muito tempo."

Durante discurso aos militantes petistas em Franco da Rocha, Lula afirmou que o partido tem sido atacado "desde quando nasceu", mas que é como uma "fênix" --ave da mitologia grega. "Eles não conseguem destruir a gente, que a gente ressurge das cinzas."

O ex-presidente lembrou o "mensalão" e a Lava Jato --casos de denúncia de compra de votos de parlamentares e de desvio de dinheiro público para financiamento de campanha registrados nos governos do PT-- como tentativas da oposição de destruir o PT.

Usando dados de pesquisas, Lula afirmou que a preferência dos eleitores pelo partido caiu nesses períodos, mas que agora está em 20%. "Todos os partidos juntos não têm a metade dos votos que tem o PT. É disso que eles têm medo", afirmou o ex-presidente.

"Eles [opositores] precisam perceber que o PT é imortal, é um conjunto de ideias. A ideia que o PT significa é muita coisa, tendo no cerne da questão a vontade do povo de andar com as próprias pernas, pensar por si próprio. O povo quer fazer parte da história", disse.

Campanha

Afirmando não querer caracterizar o evento como antecipação de campanha política, apesar de faixas com os dizeres "É por isso que eu quero Lula de novo", Lula convocou a militância para a luta política ao citar os efeitos da crise vivida atualmente.

"Por isso, companheiros, essa briga é nossa. Eu sou o resultado de vocês. Eu sou o resultado da consciência política do brasileiro", disse. "Para a gente tirar o país da encalacrada que eles meteram, é preciso ter alguém com credibilidade", afirmou o ex-presidente em discurso.

Lula ainda falou sobre sua visita oficial aos EUA em 2003 e contou ter recusado um convite do então presidente George W. Bush de participar da invasão do Iraque.

"Ele [Bush] me falava do terrorismo, mas aí eu falei: ´Deixa eu te falar uma coisa: eu não conheço o Saddam Hussein, meu país fica a 14 mil km do dele. A minha guerra é contra a fome'. E nós conseguimos tirar o Brasil do mapa da fome no mundo", afirmou Lula.

Viagens

As viagens do ex-presidente pelo Estado de São Paulo começaram na semana passada. O primeiro evento ocorreu na última sexta (4) na zona sul da capital paulista. Na próxima semana, Lula deve fazer visitas a militantes em Guarulhos e Ferraz de Vasconcelos. No final da semana, ele participará de eventos no Rio de Janeiro.

"Eu estou andando pelo país e estou começando pela periferia de São Paulo porque é preciso restabelecer a honra do nosso partido. São Paulo é o Estado mais importante da federação, e como vou embarcar na semana que vem para o Nordeste, estou fazendo essas visitas", disse Lula.

Nesta terça, o PT divulgou o trajeto e o logotipo da caravana, que começa por Salvador, depois segue pelo interior da Bahia até Sergipe, seguido por Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, se encerrando em 5 de setembro. Todo o percurso será feito de ônibus,

Segundo a direção do partido, a caravana é a primeira etapa de um projeto que deve alcançar todas as regiões do país nos próximos meses. Segundo Lula, depois do Nordeste, virá a região Sul do país, seguida pelo Sudeste, Centro-Oeste e, por fim, o Norte.

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