Aliados do Planalto defendem prisão de Geddel e dizem que episódio não tem relação com Temer

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    Geddel (à dir.) foi ministro de Temer, mas renunciou após polêmica com Calero

    Geddel (à dir.) foi ministro de Temer, mas renunciou após polêmica com Calero

Após a prisão do ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), na manhã desta sexta-feira (8) em Salvador devido aos R$ 51 milhões encontrados e atribuídos a ele pela Polícia Federal, aliados do Planalto defenderam a ação tomada e disseram que todo o episódio não tem relação direta com o presidente da República, Michel Temer (PMDB).

Segundo deputados governistas ouvidos pela reportagem, a prisão e as malas de dinheiro são um caso isolado e não devem envolver o Planalto, muito menos afetar a base aliada no Congresso Nacional. Procurada pelo UOL, a Presidência informou que não comentará a nova detenção do aliado de longa data de Temer.

Nesta semana, o governo viveu um momento de alívio com a possibilidade de rescisão da delação da JBS ao Ministério Público por parte do próprio procurador-geral da República, Rodrigo Janot após suspeitas de omissão de informações.

Portanto, o discurso é que a prisão de Geddel não deve contaminar novamente o ambiente. Isso porque, embora reconsidere a delação da JBS, Janot não descartará as provas obtidas e deve apresentar uma segunda denúncia contra Temer na próxima semana, sua última no cargo.

O líder da maioria na Câmara, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), afirmou que Geddel vai responder pelos eventos à sua volta e que a prisão é uma "consequência natural", sobretudo com as imagens das malas do dinheiro ilegal.

Divulgação
Malas de dinheiro em endereço atribuído a Geddel Vieira Lima em Salvador

Enquanto isso, disse, os elementos da delação da JBS contra Temer estão sendo "bem encaminhados" e agora as falas dos executivos e ex-executivos da empresa passam por "fragilidade".

"Para o governo Temer não há consequências imediatas, não tem conexão [com a prisão de Geddel]. É um evento vinculada ao próprio ex-ministro. [...] O episódio é localizado que tem nome e CPF", argumentou.

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) elogiou o trabalho da Polícia Federal e afirmou que "o que tinha que acontecer, aconteceu".

Na avaliação do deputado, "parece existir uma preguiça" em que todos correm atrás de delações premiadas e "se esquecem" das provas. No caso de Geddel, ponderou, a Polícia Federal "não fez alarde" e conseguiu investigar, provar e prender o envolvido.

"A partir do momento em que a Polícia Federal entende que as investigações avançam com certeza em relação à propriedade daquele dinheiro ser do Geddel, não vejo outro caminho que não fosse o que aconteceu", declarou, ao ressaltar que Geddel foi ministro de Temer "por breve tempo" --cerca de seis meses.

Em novembro do ano passado, Geddel pediu demissão após pressões decorrentes da fala do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero. Este acusou Geddel de pressioná-lo a liberar uma obra embargada em Salvador, onde teria comprado um apartamento de luxo.

Ainda para Marun, a exoneração de Geddel da Secretaria de Governo por uma "situação menor" prova que o presidente Temer não compactua com atos de corrupção e não faz sentido vincular os atos do auxiliar de anos do presidente ao Planalto.

Geddel também foi ministro da Integração Nacional durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre 2007 e 2010. No governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ele ocupou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.

Marun falou que a prisão não vai influenciar a tentativa de se reestruturar a base aliada no Congresso, em momento que o governo busca consenso para aprovar a reforma da Previdência.

"Não pode influenciar, não vai influenciar [na base aliada]. Até porque o Geddel foi demitido pelo Temer por uma situação menor do que essa. É ilação tentar construir o envolvimento do governo nessa questão que resultou na prisão do Geddel", defendeu.

O deputado Beto Mansur (PRB-SP) afirmou que a Polícia Federal e a PGR têm feito um bom trabalho, fora "excessos" da última, e os aliados de Temer não têm "nada contra investigar".

Ele argumenta, porém, ser necessário tomar cuidado com a onda do que chama de "denuncismo", não importando "A, B ou C" que esteja sendo preso.

Quanto ao clima do Congresso na semana que vem, Mansur diz acreditar que o "humor" dos deputados deve mudar para melhor e segue a linha de que a agenda do Planalto no Legislativo não sofrerá reveses.

"Acho que não influencia nada. Nós saímos daqui para a China numa condição, e voltamos em outra muito mais positiva, não só por causa da viagem, mas também por tudo que foi aprovado na Câmara", ponderou.

PF usa máquinas para contar dinheiro encontrados em Salvador

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