Operação Lava Jato

De olho em 2018, política vence Lava Jato na agenda de Lula

Bernardo Barbosa e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • 27.ago.2017 Ricardo Stuckert

    Pernambuco foi um dos estados visitados por Lula durante sua caravana

    Pernambuco foi um dos estados visitados por Lula durante sua caravana

Do lado de fora da sala de audiências da Justiça Federal no Paraná, o PT quer se afastar do noticiário judicial. Na próxima quarta-feira (13), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será interrogado pelo juiz federal Sergio Moro no segundo processo em que o político está envolvido na Operação Lava Jato, sobre um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras.

Diferentemente do primeiro depoimento, em 10 de maio, em que o nome de Lula ficava vinculado quase que exclusivamente a questões judiciais, desta vez, uma agenda política mais forte cerca o petista. Desde a sentença, nos eventos em que participa, os pronunciamentos de Lula têm sido mais fortes a respeito de política do que sobre os processos em que réu.

Após 12 de julho, quando, no primeiro processo na Lava Jato, Moro condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a partir de três contratos entre a empreiteira OAS e a Petrobras, Lula anunciou que era pré-candidato do PT à Presidência da República na eleição do ano que vem.

"Quero dizer ao meu partido, e eu nunca tinha dito isso antes, que vou pleitear a vaga como candidato à Presidência. Vocês vão ter um pré-candidato com um problema jurídico, mas vou brigar a boa briga democrática nas ruas", disse no dia seguinte, falando que os processos, na verdade, são uma tentativa de tirá-lo da disputa pelo Planalto em 2018. Esse discurso já era proferido anteriormente, mas foi intensificado desde então.

Na sequência, Lula emendou uma caravana pelo Nordeste. Foram 20 dias de viagens, entre o final de agosto e o começo de setembro, pelos nove Estados da região. Entre uma viagem e outra, jingles de campanhas antigas foram relembrados pela militância petista. Na chegada a Salvador, por exemplo, no trajeto entre o metrô e a Fonte Nova, o famoso "Lula, lá", da campanha de 1989, foi repetido várias vezes no carro de som.

Nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, Lula tem aparecido em primeiro lugar. Mas, caso o TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, a segunda instância da Lava Jato, mantenha sua condenação, ele estará fora da disputa. Não há prazo para que o tribunal julgue o caso de Lula.

Como foi a caravana de Lula pelo Nordeste? Veja

Acelerando a agenda

Enquanto a militância pró-Lula no Paraná prepara um ato em defesa do ex-presidente para quarta-feira em Curitiba, o partido busca acelerar a agenda política. "Nós não vamos ficar aderindo à agenda do Judiciário. A prioridade de mobilização do PT, junto com o Lula, tem sido as caravanas do Lula pelo Brasil", disse o vice-presidente do PT e ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao UOL.

Segundo Padilha, Lula quer continuar viajando o país. Nesta semana, o PT deve começar a definir as datas das próximas caravanas. Prováveis destinos são Minas Gerais e a região Sul, assim como as regiões Centro-Oeste e Norte. Segundo o líder do partido na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (PT-SP), a próxima incursão de Lula em caravanas deve ser em outubro, com as definições de localidade saindo após o interrogatório.

As viagens na mais recente caravana não significam, porém, que Lula tenha deixado de lado as questões judiciais. Descansando da jornada pelo Nordeste, ele se prepara para seu segundo interrogatório a Moro. "O problema dele é mostrar que não existem provas [de envolvimento no esquema]", avalia Zarattini.

O líder petista imagina que as declarações de Palocci na última quarta-feira (6), também réu no processo, em que afirmou que havia um "pacto de sangue" entre a Odebrecht e Lula não vão afetar o depoimento do ex-presidente. "Uma declaração ruim, com frases fortes, sem mostrar nenhuma prova. Propina... Palocci nunca tinha usado essa palavra."

Palocci: Odebrecht ofereceu R$ 300 mi a Lula em 'pacto de sangue'

Lava Jato de lado

Em paralelo, a Fundação Perseu Abramo, braço de formação política do partido, começa neste mês um movimento de debate de propostas chamado "O Brasil que o Povo Quer". A princípio, nada de Lava Jato e Sergio Moro, seguindo o tom adotado por Lula em alguns momentos da caravana pelo Nordeste. "Ele continua cuidando da política, ele nunca deixou de fazer política", comenta Zarattini.

Com isso, a mobilização pró-Lula para o depoimento está concentrada na militância local. O braço paranaense da Frente Brasil Popular, que reúne diversos movimentos sociais, organiza ato "pela democracia" na praça Generoso Marques, em Curitiba, ao qual Lula deve comparecer logo após o depoimento. Esse local é menor do que a praça Santos Andrade, que reuniu cerca de 5.000 pessoas em maio por ocasião do primeiro interrogatório --os dados são da Polícia Miiltar do Estado.

Segundo Padilha, que estará no Paraná, o ex-presidente terá a companhia de deputados e senadores petistas. Zarattini diz que não deverá ir por causa da agenda da Câmara, que deve ter votação de destaques da reforma política.

Ainda é dúvida a presença de Dilma Rousseff, que deve retomar suas viagens internacionais para "denunciar o impeachment".

Assim como no depoimento que Lula prestou em maio, o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) deverá ter integrantes acampados em Curitiba, mas a data de chegada dos militantes e o local de acampamento ainda não foram definidos. Segundo a assessoria de imprensa do movimento, devem ir à capital do Paraná militantes dos Estados do Sul, de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.

A Secretaria de Segurança do Paraná só apresentará um plano de segurança para o interrogatório na segunda-feira (11). O que já se sabe é que ao menos o perímetro do prédio da Justiça Federal, em Curitiba, terá acesso restrito. No primeiro depoimento, acampamentos foram proibidos na capital paranaense e a Polícia Militar disponibilizou cerca de 1.700 agentes --8% do efetivo do Estado-- para fazer a segurança na data. A operação custou R$ 110 mil.

Corrida pelo Planalto tem embaraços, ataques e viagens

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