Candidato único a corregedor da Alerj já foi acusado de ligação com traficantes

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Divulgação

    Chiquinho da Mangueira, deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PTN

    Chiquinho da Mangueira, deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PTN

O deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PTN) é o único candidato a disputar a eleição para o cargo de corregedor parlamentar da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). A eleição, prevista para acontecer na tarde desta terça-feira (12), foi retirada da pauta pela presidência e retorna na semana que vem. A decisão foi tomada porque Chiquinho está de licença médica. Em 2003, a corregedoria da Casa recebeu um pedido de instauração de processo de cassação do mandato contra o parlamentar, que hoje é candidato ao cargo. O pedido foi arquivado pela Mesa Diretora da Alerj.

Ele foi acusado de quebra de decoro parlamentar após o ex-comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (São Cristóvão) e hoje secretário estadual de Administração Penitenciária, Erir da Costa Filho, dizer que Chiquinho pediu a redução do policiamento no morro da Mangueira, na zona norte do Rio. Segundo Erir, Chiquinho pretendia proteger os negócios dos traficantes locais.

O relatório com as informações foi elaborado pela Comissão de Segurança Pública da Alerj. Na época, Chiquinho era deputado licenciado e secretário estadual de Esportes. 

Em entrevista ao UOL, o candidato a corregedor do Legislativo fluminense minimizou o ocorrido.
 
"Sempre defendi que a PM não fizesse operações em horário de entrada e saída de crianças das escolas. Apenas isso. Nesta época, a Comissão de Segurança da Casa chegou a fazer um levantamento, a meu pedido, para ver se tinha fundamento ou não a denúncia, se o coronel tinha alguma coisa gravada, se tinha testemunha, se algum comandante dele ouviu alguma coisa", disse o deputado, que é presidente da escola de samba Estação Primeira de Mangueira e se tornou conhecido na região ao promover ações sociais.

 

Chiquinho destacou que está apto a ocupar o cargo. "É uma posição importante da Alerj. Eu sou vice-presidente da comissão mais importante que tem na casa, a de Constituição e Justiça, e presidente da Comissão de Lazer Esportes. Agora sou candidato a corregedor da Casa."

Apesar de a Comissão de Segurança concluir pela quebra de decoro de Chiquinho da Mangueira, a Mesa Diretora arquivou, na ocasião, o pedido de cassação por unanimidade (11 votos a zero).

No documento que pedia a cassação do deputado, agentes penitenciários relataram que o então secretário realizou visitas aos traficantes Alexander Mendes da Silva, o Polegar, e Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha, no presídio Bangu 3, na zona oeste.

Na ocasião, Chiquinho da Mangueira alegou que as visitas ocorreram em função de um projeto ressocialização de presos.

Caso seja eleito para o cargo de corregedor da Alerj, o parlamentar será o responsável por abrir investigações e presidir eventuais inquéritos contra os demais políticos da Casa. Também caberá a ele a supervisão sobre as normas internas de segurança do Legislativo fluminense.

Para ser eleito, o candidato precisa ter ao menos a metade mais um dos votos dos parlamentares presentes na sessão. Para iniciar a votação, é necessário que pelo menos 36 deputados estejam presentes no plenário.

Para a vaga de corregedor substituto também há apenas um candidato, Iranildo Campos (PSD).

Trajetória e polêmicas

Formado em Educação Física, Chiquinho da Mangueira foi presidente da Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro) no período de 1999 a 2006.

Em 2002, ele assumiu pela primeira vez o cargo de deputado estadual, sendo eleito outras três vezes para a função. Na última candidatura, o deputado acumulou 27.182 votos.

Chiquinho da Mangueira foi também secretário estadual de Esporte e Lazer do RJ, de 2002 a 2006, e secretário municipal de Esporte e Lazer do Rio, de 2009 a 2010. O parlamentar foi responsável pelo programa Vila Olímpica da Mangueira.

Além de ter sido acusado de pedir uma trégua ao combate ao crime organizado da Mangueira, em 2003, Chiquinho da Mangueira teve um assessor parlamentar envolvido na morte de um jovem de 23 anos.

Eliton Torres, 23, foi golpeado na cabeça com um taco de beisebol pelo filho do ex-assessor Raul Soares Neto. Segundo testemunhas, após presenciar a agressão, o assessor teria apontado uma arma para a vítima.

O crime aconteceu no bairro de São Cristóvão, na zona norte. O jovem chegou a ser levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Após o episódio, Chiquinho da Mangueira exonerou o funcionário e disse, na ocasião, que não tinha conhecimento que o mesmo andava armado. A rivalidade entre os dois jovens começou devido a uma partida de futebol.

Em 2012, foi a vez da ex-assessora Juciara de Souza Parente se envolver em um escândalo. A funcionária que trabalhava no gabinete do deputado foi responsável por sacar indevidamente sete meses de salários do ex-presidente da Mangueira Roberto Firmino, que também era assessor de Chiquinho na Alerj.

O funcionário morreu em fevereiro de 2012, mas seu salário mensal de R$ 6.400 foi recebido ilegalmente até setembro. Juciara admitiu ter sacado o dinheiro com o cartão do colega de trabalho. Ela também acabou exonerada pelo deputado.

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