Operação Lava Jato

Com militância focada em Lula, Dirceu encara julgamento decisivo nesta 4ª

Bernardo Barbosa

Do UOL, em Porto Alegre

  • Ruy Baron - 4.mar.2004/Valor DF/Folhapress

    O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu

    O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu

Enquanto centenas de pessoas devem receber o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após seu depoimento à Justiça em Curitiba nesta quarta-feira (13), no mesmo dia, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu --que já foi um dos nomes mais poderosos do partido-- encara julgamento decisivo no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre, sem que haja mobilização prevista pela militância local.

A 8ª Turma do TRF-4 julga recurso de apelação de Dirceu que, se negado, pode levá-lo de volta à prisão. Fora da cadeia desde maio, o ex-ministro mora em Brasília e não deve comparecer ao julgamento, apesar da possibilidade de fazê-lo mesmo com as restrições de movimento impostas pela Justiça após sua soltura.

No Paraná, lideranças locais do partido se reuniram na terça (12) para falar à imprensa sobre o ato de "solidariedade" a Lula, que deve contar com parlamentares e líderes de movimentos sociais de expressão nacional. No Rio Grande do Sul, segundo o presidente do PT local, deputado federal Pepe Vargas, não houve conversas para a realização de atos relativos ao julgamento de Dirceu. 

"Não houve nenhum procedimento adotado pela militância. Não tenho conhecimento de nenhuma mobilização, nem as instâncias formais do partido debateram esse assunto", disse Vargas ao UOL na noite de terça.

"Obviamente que a gente espera que a defesa dele tenha sucesso em comprovar a inocência dele, mas isso é nos autos do processo. Não há um debate interno hoje dentro do PT sobre esse tema. O que o partido está debatendo muito é essa questão da condenação do Lula, porque entendemos que não há prova alguma", completou.

Se em Curitiba o prédio da Justiça Federal do Paraná será até mesmo isolado para o depoimento de Lula, no entorno do prédio do TRF-4 a situação é bem diferente. Pelo menos até a noite de terça, a maior alteração na rotina da região se devia à tradicional Semana Farroupilha, organizada em parque ao lado do tribunal, que vai até o dia 20. A série de festejos homenageia as tradições gaúchas e a Revolução Farroupilha, rebelião que enfrentou o Império de Dom Pedro 2º durante uma década no século 19.

Itamar Aguiar/Ag. Freelancer/Estadão Conteúdo
Churrasco na Semana Farroupilha, realizada em parque vizinho ao TRF-4

Mesmo a mobilização para a presença de Lula em Curitiba deverá ser menor do que a ocorrida em maio, quando o ex-presidente foi interrogado pelo juiz Sergio Moro no chamado processo do tríplex, em que veio a ser condenado dois meses depois.

Lideranças do PT no Paraná disseram esperar um público de 4 mil pessoas no ato após o depoimento de Lula; em maio, a estimativa para evento similar foi de 20 mil presentes. O partido está com o foco voltado para as caravanas do ex-presidente pelo país, de olho nas eleições de 2018.

Entenda o caso de José Dirceu

Na ação em julgamento nesta quarta, Dirceu foi condenado em primeira instância por Moro por ter recebido cerca de R$ 15 milhões em propina da empreiteira Engevix. Os pagamentos teriam ligação com contratos da Engevix com a Petrobras e foram feitos sob a fachada de consultorias supostamente nunca prestadas por Dirceu.

Se a condenação for confirmada pela turma, Dirceu pode ser preso novamente --mas a decretação da detenção não é obrigatória. Na primeira instância, a defesa do ex-ministro pediu sua absolvição devido à "ausência de valor probatório" das delações premiadas de outros réus da ação penal, alegando contradições entre as colaborações usadas na acusação.

Dirceu foi preso preventivamente por ordem de Moro em agosto de 2015. Entretanto, em maio deste ano, a 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) revogou a detenção ao considerar que o petista dificilmente conseguiria interferir nas investigações, entre outros argumentos.

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