Em reunião, Temer pede "discurso de rebate" e reforço de "ladainha" a ministros e líderes da base

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Divulgação/Presidência da República

    Temer discursa durante café da manhã com ministros e líderes partidários no Alvorada

    Temer discursa durante café da manhã com ministros e líderes partidários no Alvorada

Em reunião convocada nesta quarta-feira (13) no Palácio da Alvorada, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou a 18 ministros e líderes partidários que é preciso fazer um "discurso de rebate" e não se aquietar diante de críticas.

Na fala durante a "reunião informal para tomar um café juntos", como chamou o encontro, Temer defendeu que não se pode ficar em silêncio e é necessário ressaltar muitas vezes os resultados positivos do governo, como uma "ladainha", para que estes possam ser apreendidos pelas pessoas.

"Nós pensamos, enquanto as pessoas vão protestando, a caravana vai passando. E nosso objetivo é governar, só isso. Esse é o legado que queremos deixar, porque se nos envolvermos com outras questões, nós vamos embaralhar e embaraçar certas questões que não são de nossa alçada. São de outra alçada. Temos de pensar na nossa", declarou, sem citar casos específicos.

Junto ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, Temer expôs índices econômicos para tentar reunificar a base aliada no Congresso Nacional e aprovar matérias de interesse do governo. O encontro ocorre no mesmo dia em que o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) deve julgar a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em casos contra Temer. O pedido foi feito pela defesa do presidente.

Mesmo que o STF aprove a suspeição, com a possibilidade de uma eventual segunda denúncia ser apresentada por Janot nesta semana, sua última no cargo, Temer procura unificar a base aliada para rejeitar a peça.

O governo tem se apoiado nos resultados econômicos para mostrar que as medidas tomadas estão no caminho certo e merece continuar à frente do Planalto.

De acordo com presentes à reunião ouvidos pelo UOL, Temer não comentou a possível denúncia diretamente, mas comentou que o assunto agora está sob responsabilidade do Judiciário.

A reunião também acontece no momento em que o governo busca consenso no Congresso para aprovar o Refis, programa de refinanciamento de dívidas de empresas com a Receita, e a reforma da Previdência, já atrasada com a crise política desencadeada pela delação de executivos da JBS ao Ministério Público Federal.

Alguns dos temas abordados por Temer e Meirelles foram a queda da inflação, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), o Risco Brasil, alta da Bolsa de Valores, a produção industrial e a retomada da geração de empregos.

Segundo o ministro Maurício Quintella (Transportes), eles compararam os índices de maio de 2016, quando Temer assumiu o governo, com os índices atuais. Em seguida, mostraram o que avaliam de benefícios advindos de reformas já aprovadas e pediram apoio para as que estão paradas no parlamento, como a da Previdência e a tributária.

"Convocou a reunião para dar informações sobre números da economia. Como o Brasil está no momento. [...] O governo pediu apoio ao Congresso para dar sequência às reformas. O presidente pediu que o país continue trabalhando, o Executivo com o Legislativo", afirmou.

Quintella minimizou as acusações contra Temer e disse que o governo "não está preocupado". "Isso quem tem de cuidar é o Judiciário. Nós temos que trabalhar para que o país continue crescendo e vencendo essa pauta negativa. O presidente se referiu que isso quem cuida é o Judiciário e pediu que nos empenhássemos em relação ao trabalho que precisa ser feito", disse.

O ministro negou que a reforma da Previdência, por exemplo, pronta para ser votada na Câmara desde maio, tenha travado somente por causa da crise política. Para ele, o atraso se deu também por ser um tema polêmico, impopular, discutido um ano antes das eleições.

Nesta terça-feira (12), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), falou que não adianta os deputados tratarem do assunto hoje, pois é preciso esperar a conclusão da reforma política e a eventual segunda denúncia contra Temer.

"Não adianta a gente ficar tratando de reforma da Previdência hoje. Nós temos a reforma política, temos que esperar para ver se vem a segunda denúncia contra o presidente. Se existir a denúncia, acho que a pauta do plenário vai ficar um pouco concentrada novamente na denúncia. Depois, a gente vai reunir os líderes para ver o que nós temos condição de votar", avaliou.

Ao todo, estiveram presentes 18 ministros. Segundo a Presidência, são eles: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Raul Jungmann (Defesa), Maurício Quintella (Transportes), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), Ronaldo Nogueira (Trabalho), Sarney Filho (Meio Ambiente), Marcos Pereira (Indústria), Henrique Meirelles (Fazenda), Blairo Maggi (Agricultura), Helder Barbalho (Integração Nacional), Leonardo Picciani (Esporte), Marx Beltrão (Turismo), Dyogo Oliveira (Planejamento), Bruno Araújo (Cidades), Ricardo Barros (Saúde), Osmar Terra (Desenvolvimento Social).

Entre líderes e parlamentares compareceram Paulinho da força (SD-SP), Efraim filho (DEM-PB), André Moura (PSC-SE), Baleia Rossi (PMDB-SP), Jovair Arantes (PTB-GO), Alfredo Kaefer (PSL-PR), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Áureo Moreira (SD-RJ), Marcos Montes (PSD-MG), Lelo Coimbra (PMDB-ES), Arthur Lira (PP-AL), Arthur Maia (PPS-BA), Cleber Verde (PRB-MA), José Rocha (PR-BA), Arthur Maia (PPS-BA), Nelson Marquezelli (PTB-SP), Junior Marreca (PEN-MA), Ricardo Teobaldo (Podemos-PE) e Toninho Wandscheer (Pros-PR).

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