Operação Lava Jato

À militância, Lula repete discurso pós-interrogatório citando morte e mentiras

Do UOL, em São Paulo

O discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à militância que o aguardou ser interrogado pelo juiz federal Sergio Moro, nessa quarta (13), em Curitiba, repetiu o tom dramático adotado pelo petista em maio passado, na capital paranaense, com referências a morte, mentiras e o sonho com as eleições presidenciais do ano que vem.

Nas duas ocasiões, Lula disse preferir morrer a estar mentindo a seus seguidores ao se afirmar inocente ante as acusações de corrupção feitas pelo MPF (Ministério Público Federal) e que o tornaram réu na operação Lava Jato, conduzida, na primeira instância, pelo juiz paranaense. Também nos dois discursos, o ex-presidente reforçou a intenção de se lançar candidato ao Planalto, em 2018, e se mostrou disposto a retornar a Curitiba para se defender do que julga "um massacre" contra ele quantas vezes for necessário.

Nessa quarta, o petista disse que "prefere a morte do que passar à história como mentiroso". Pelos cálculos da Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas acompanharam o discurso –menos de um terço das cerca de 6,5 mil que a corporação estimara em ato semelhante de maio, quando o ex-presidente foi ouvido por Moro no processo sobre o tríplex do Guarujá. Os organizadores estimaram 7 mil pessoas no ato de ontem, e 50 mil no de maio.

No interrogatório a Moro na tarde de quarta (13), Lula afirmou que seu ex-ministro Antonio Palocci mentiu em seu depoimento na semana passada: "Eu conheço o Palocci bem. O Palocci, se não fosse um ser humano, ele seria um simulador", afirmou. "Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. O Palocci é médico, calculista, é frio." Ao público, Lula afirmou que voltaria à cidade quantas vezes fossem necessárias, "para que a verdade vença a mentira". "Eu não sei quantos processos eu tenho. Curitiba é muito perto. Eu não sei se eles vão cansar, porque eu não vou cansar".

Heuler Andrey/AFP Photo
Lula chegou à Justiça Federal apoiado por centenas de manifestantes; segundo o ex-presidente, há uma "trama jurídica" para que ele não seja candidato novamente no ano que vem

Em maio, em discurso a uma militância que chegou à capital paranaense a partir de diversos pontos do país, o petista defendeu que queria ser julgado "por provas", e não "por interpretações". "Eu não seria digno do carinho de vocês se tivesse alguma culpa e estivesse falando com vocês agora. Virei em quantas audiências forem necessárias. Darei quantos depoimentos forem necessários. Não há ninguém mais interessado na verdade do que eu", bradou, na ocasião, para arrematar: "Se um dia eu tiver que mentir para vocês, eu prefiro que um ônibus me atropele em qualquer rua deste país. Eu estou vivo e estou me preparando para voltar a ser presidente desse país. Nunca tive tanta vontade [de disputar a eleição]."

Se repetiu argumentos à militância, o segundo interrogatório do petista ao juiz coordenador da Lava Jato viu estatísticas mais modestas também na duração do embate: cerca de duas horas, contra cerca de cinco horas no de maio. Por aquele processo, Lula foi condenado em julho a nove anos e seis meses de prisão. Ele recorreu contra a pena ao TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre.

A audiência dessa quarta estava ligada a suspeitas da participação de Lula em um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras.

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