Temer reagiu sem surpresas à denúncia e estava tranquilo, diz vice-líder do PMDB

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

O presidente da República, Michel Temer, reagiu sem surpresas e se mostrou tranquilo quanto à nova denúncia apresentada contra ele pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta quinta-feira (14), afirmou o vice-líder do PMDB, deputado Carlos Marun (MS).

Após a divulgação do conteúdo da denúncia, Marun se dirigiu ao gabinete presidencial, no terceiro andar do Palácio do Planalto. Segundo relato do deputado, estavam no local os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), também denunciado, e Aloysio Nunes (Relações Exteriores), além do líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Segundo Marun, o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) também "deu uma passada".

"O presidente reagiu sem surpresa, afinal, o procedimento do procurador Janot sinalizava a apresentação dessa denúncia e vamos enfrentá-la com a certeza de que temos a verdade e a razão ao nosso lado. Em breve tempo, a derrotaremos na Câmara dos Deputados", afirmou Marun, que é um dos principais membros da "tropa de choque" do presidente Temer. "Eu o considerei até mais tranquilo do que imaginava. Eu sinceramente fiquei mais angustiado com essa denúncia".

Segundo o deputado, Temer estava "muito diferente de outros momentos em que ele parecia surpreso".

Para Marun, Janot busca de "maneira insana" um resultado. O deputado lembrou ainda que quem quer "derrubar" o presidente precisa de 308 votos. Na avaliação dele, a oposição não conseguirá "chegar perto" desse número.

A primeira denúncia apresentada por Janot contra Temer, por corrupção passiva, foi votada e barrada pela Câmara no dia 2 de agosto.

"Completamente isento" como relator

Após pressão do Planalto, Carlos Marun foi escolhido nesta semana como relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que vai apurar supostas irregularidades praticadas pelo grupo J&F, que controla o frigorífico JBS, junto a empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Como relator, ele terá de apresentar um parecer ao final da CPI que indicará se houve ou não indícios de corrupção, apontará responsabilidades e sugerirá medidas para resolver os problemas apurados. As comissões têm poder investigativo, mas não judicial.

Segundo apurou o UOL, aliados de Temer pretendem usar a CPI para intimidar Janot e questionar declarações feitas pelo dono da JBS, Joesley Batista, e o executivo da empresa Ricardo Saud, ambos presos em Brasília a pedido do procurador-geral e também denunciados nesta quinta por obstrução de justiça.

Embora tenha feito uma defesa veemente de Temer nesta quinta-feira, Marun se julgou "completamente isento" para continuar na função. Quando questionado pelo UOL, disse que "dificilmente há alguém mais qualificado" do que ele.

"Completamente isento para relatar a CPI da JBS. Até porque penso que essa CPI pode ser um momento que possibilite revelações importantes sobre todo esse aspecto. Sou uma pessoa que está inserida no processo, tenho conhecimento dos fatos. Entendo que dificilmente hoje haveria uma pessoa na Câmara dos Deputados, especialmente no PMDB, alguém mais qualificado do que eu para ser esse relator", declarou.

A denúncia

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), desta vez pelos crimes de organização criminosa e obstrução de justiça. A denúncia tem como bases principais as delações premiadas de executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB.

Além de Temer, também são acusados de organização criminosa os ex-deputados Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures e Henrique Alves, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e os atuais ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, todos do PMDB. Eles teriam recebido R$ 587 milhões em propinas. Ainda foram denunciados os executivos da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, esses por obstrução de justiça.

Ao todo, a denúncia apresentada conta com 245 páginas divididas em capítulos. Um deles contém uma síntese das imputações enquanto outro detalha como a suposta corrupção aconteceu em diversos órgãos do governo.

Segundo a denúncia, os sete integrantes do PMDB praticaram atos ilícitos em troca de propina dentro de vários órgãos públicos, entre eles Petrobras, Furnas, Caixa Econômica e Câmara dos Deputados. Temer é apontado na denúncia como líder da organização criminosa desde maio de 2016.

Para a Procuradoria, Temer também cometeu o crime de obstrução de justiça ao dar aval para que o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, comprasse o silêncio de Lucio Funaro. Ricardo Saud, executivo do grupo, ficaria encarregado de pagar valores à irmã do operador, Roberta Funaro.

Em sua delação premiada, Funaro afirmou ter recebido dinheiro de Joesley para que não fechasse um acordo de delação. Para a Procuradoria, o silêncio do operador beneficiaria o grupo do PMDB próximo a Temer. O presidente nega que tenha dado aval ao executivo da JBS.

Para denunciar Joesley e Saud, Janot decidiu rescindir o acordo de delação premiada firmado por ambos. O acordo de colaboração da JBS, base para as duas denúncias apresentadas contra o presidente, ficou sob suspeita após novos áudios apresentados indicarem que o ex-procurador da República Marcello Miller pode ter auxiliado os delatores quando ainda estava ligado à Procuradoria. Miller nega a suspeita.

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