Operação Lava Jato

Em 1º evento público após denúncia, Temer ignora acusações de Janot

Hanrrikson de Andrade e Luciana Amaral

Do UOL, no Rio e em Brasília

  • Alan Santos/Presidência da República

    Ao lado de Rodrigo Maia e Pezão, Temer visita o Instituto Estadual do Cérebro, no Rio

    Ao lado de Rodrigo Maia e Pezão, Temer visita o Instituto Estadual do Cérebro, no Rio

No primeiro evento público após ter sido denunciado pela segunda vez pela PGR (Procuradoria-Geral da República), o presidente Michel Temer (PMDB) não comentou as acusações feitas pelo procurador-geral Rodrigo Janot. Ele esteve na manhã desta sexta-feira (15) em uma solenidade para anunciar investimentos no Instituto Estadual do Cérebro, no centro da capital fluminense. Após a cerimônia, Temer deixou o local sem dar entrevistas enquanto os jornalistas foram mantidos em uma sala.

Em seu discurso, o presidente fez comentários sobre a mobilização da bancada federal para que a União liberasse recursos destinados ao hospital, que é referência na área.

Também se disse impressionado com as instalações da unidade de saúde e prometeu uma aliança com o governo do Estado para que sejam concluídas obras de reforma na sede do instituto.

Segundo a "GloboNews", ao ser abordado por um repórter do canal sobre a denúncia ao chegar, Temer apenas respondeu: "Tem alguma denúncia em relação ao hospital?". O presidente, então, se dirigiu para o local onde a cerimônia foi realizada.

Ao contrário de quando foi denunciado pela primeira vez por Janot, Temer não fará um pronunciamento à imprensa em pessoa no Palácio do Planalto, em Brasília, informou a Presidência. Até a tarde desta quinta (14), a possibilidade de um pronunciamento estava no radar dos auxiliares mais próximos do peemedebista. Até o momento, somente uma nota oficial foi divulgada pelo Planalto.

Após a cerimônia no Rio, Temer seguiu para São Paulo em "agenda privada". Na cidade, ele deve se reunir com auxiliares de longa data para definir os rumos de sua defesa e da articulação a ser feita no Congresso Nacional para barrar a nova denúncia. Segundo a Presidência, Temer deve retornar ainda nesta sexta a Brasília.

Na denúncia apresentada ontem por Janot ao STF (Supremo Tribunal Federal), Temer é acusado pelos crimes de organização criminosa e obstrução de justiça. A denúncia tem como bases principais as delações premiadas de executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB.

Ontem, em nota, o Planalto afirmou que Janot ignorou as suspeitas sobre as delações firmadas pela PGR ao denunciar o presidente. Segundo o texto, o procurador "finge não ver credibilidade de testemunhas, a ausência de nexo entre as narrativas e as incoerências produzidas pela própria investigação, apressada e açodada".

O ministro Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB), que também foi denunciado por Janot por organização criminosa, participou do evento e não comentou a denúncia.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros Filho, foi o único a conversar com a imprensa ao fim do evento. Segundo ele, a segunda denúncia contra Temer não vai atrapalhar o andamento dos projetos e investimentos relacionados à saúde. "Questões jurídicas ficam para o Judiciário", disse. "Estamos governando plenamente e essas questões não influirão."

Em 2ª denúncia, Temer é acusado de dois crimes

Temer evita imprensa

No decorrer da cerimônia, os jornalistas não tiveram acesso a Temer. Os jornalistas acompanharam tudo à distância, em uma sala fechada e por meio de televisões. Segundo o cerimonial, o local designado para o evento estava lotado e, por isso, não seria possível abri-lo para a imprensa.

Ao fim dos discursos das autoridades, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas foram mantidos no local até que Temer e outras autoridades pudessem deixar o hospital sem que fossem abordados. De acordo com a assessoria de comunicação do Planalto, a medida foi tomada por questões de segurança.

Antes, um grupo de jornalistas também teve dificuldade para conseguir entrar no Instituto Estadual do Cérebro. No saguão, antes do horário marcado para o início da solenidade, profissionais de imprensa que já estavam credenciados e aguardavam no local foram informados pela segurança que o ingresso não seria permitido. A situação foi resolvida cerca de 20 minutos depois, com a chegada de um assessor de comunicação da Presidência.

Também denunciado, Pezão agradece Temer

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), fez mais um discurso repleto de agradecimentos a Temer e aos deputados federais da bancada fluminense.

Pezão foi outro que evitou o contato com a imprensa após o encerramento da solenidade. Na quinta, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou, a pedido der Janot, a abertura de inquérito para investigar supostas irregularidades em doações de campanha feitas pela Odebrecht em 2014, quando ele foi reeleito.

Em sua fala, Pezão relembrou a mobilização em prol da adesão do Rio ao acordo de recuperação fiscal e chegou a chamar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de "nosso Papai Noel de 2017".

Maia, que também compareceu ao evento no Instituto Estadual do Cérebro, foi um dos principais articuladores para destravar questões burocráticas que impediam a homologação do ajuste fiscal, tido como a salvação da lavoura para o Rio em decorrência da grave crise econômica no Estado.

Também coube ao deputado do DEM assinar a oficialização do acordo, já que, na ocasião, ele era o presidente em exercício --Temer estava em viagem oficial pela China.

O Instituto Estadual do Cérebro receberá, de acordo com o Ministério da Saúde, um aporte de R$ 25,1 milhões --incremento de 55% no orçamento da unidade-- para "ampliar é qualificar" o atendimento oferecido por meio do SUS.

A União investirá ainda mais R$ 113 milhões adicionais para custeio da saúde no Estado. Essa verba será utilizada em 16 municípios, o que possibilitará, segundo o governo, o aumento da oferta em 29 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), maternidades e instalações especializadas em traumatologia, exames médicos e transplantes.

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