Após ser alvo de protesto, líder do MBL adota tom de campanha e agrada plateia no MP do Rio

Mônica Garcia

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Mônica Garcia/UOL

    15.set.2017 - Kim Kataguiri (o terceiro da esquerda para a direita) em palestra no MP do Rio

    15.set.2017 - Kim Kataguiri (o terceiro da esquerda para a direita) em palestra no MP do Rio

Após críticas ao convite para dar palestra em evento sobre segurança pública realizado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (15), o líder do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim Kataguiri, adotou tom de campanha em rápido discurso e agradou o público, composto por pessoas do meio jurídico. Mais cedo, contudo, na porta da sede do MP-RJ, no centro da capital fluminense, o estudante de Direito foi alvo de protesto.

Kataguiri condenou o que definiu como discurso de que todo criminoso é vítima da sociedade ou não teve oportunidade na vida. Ao discursar por cerca de 10 minutos no painel "Segurança Pública e Justiça: A visão da sociedade", o estudante de Direito, que recentemente lançou campanha contra o regime de prisão semiaberto no Brasil, citou, para ilustrar a tese, crimes cometidos pelos empresários Joesley Batista (JBS) e Marcelo Odebrecht --ambos assinaram acordo de delação premiada (o primeiro, contudo, pode ter a colaboração rescindida pelo Supremo Tribunal Federal).

O líder do MBL, que pretende sair candidato em 2018, afirmou que temas abordados no seminário, como a adoção de leis mais duras com vistas ao encarceramento, precisam sair do campo das ideias e irem para o Congresso.

"Acho que o mais precioso que tenho para trazer para vocês é como transformar todas essas belas ideias, propostas e críticas que ouvi aqui em vitória política e levar isso para o Congresso Nacional, para a imprensa, para a rua. Enquanto isso não for de fato transformado em ação política, isso vai continuar só nos nossos debates e slides. Não vão passar disso", disse ele, sem contudo citar exemplos.

O discurso de Kataguiri foi muito aplaudido. Mais cedo, contudo, do lado de fora do prédio do MP-RJ, um grupo protestou contra o convite a Kataguiri. Os manifestantes também defenderam que o aumento do encarceramento não gera redução da violência.

A mesa formada por Kataguiri contou com vozes alinhadas com o coordenador do MBL --o diretor do Instituto Liberal, Alexandre Borges, e o ativista Roberto Motta.

O líder do MBL pediu que, ao final, o evento fosse aberto para perguntas do público, o que não aconteceu. Ele deixou o seminário sem falar com jornalistas, saindo rapidamente pelo fundo do palco.

Segundo o MP-RJ, o objetivo do seminário era fomentar um debate sobre a grave crise da segurança pública pela qual passa o país e com mais intensidade o Rio de Janeiro. Mas o evento foi muito criticado em seu lançamento, em julho passado, pelo convite a Kataguiri.

Segundo a professora de Criminologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Luciana Boiteux, a presença de Kataguiri demonstra o que definiu como baixo nível teórico em razão de sua "pouca experiência de vida e da realidade".

Boiteux que tentou entrar para assistir à última palestra foi impedida de subir ao local onde estava acontecendo o evento. A professora disse que ficou 20 minutos esperando para subir e que, mesmo inscrita, foi barrada.

De acordo com a coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Criminal, Somaine Patrícia Cerruti Lisboa, que coordenou a mesa, foi adotado um esquema especial de segurança por causa dos convidados. "Depois do começo das palestras, encerramos as entradas para não ter esse entra e sai, principalmente já no final. Todas as pessoas inscritas que chegaram a tempo puderam entrar", afirmou ela.

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