MPF chama Joesley de "criminoso contumaz", e Justiça mantém prisão preventiva

Venceslau Borlina Filho

Do UOL, em São Paulo

A Justiça Federal de São Paulo negou na tarde desta sexta-feira (15) pedido de revogação da prisão preventiva do empresário Joesley Batista.

A prisão foi decretada na quarta-feira (13) na Operação Tendão de Aquiles. Nela, também foi preso o irmão de Joesley, Wesley Batista, ambos sócios do frigorífico JBS.

A solicitação da revogação foi feita pela defesa dos irmãos durante audiência de custódia de Joesley realizada na capital paulista nesta tarde. O juiz da 6° Vara Federal, João Batista Gonçalves, determinou que o empresário permaneça custodiado na sede da Polícia Federal em São Paulo.

A PF apura se os empresários se beneficiaram de seu acordo de delação para lucrar no mercado financeiro, comprando dólares e comercializando ações da empresa. Insider Trading é como é apelidada no mercado a prática de se beneficiar de informações ainda não divulgadas.

Joesley Batista negou durante a audiência de custódia ter se beneficiado de seu acordo de delação para lucrar no mercado financeiro.

"As operações têm absolutamente nada a ver com insider", disse Joesley ao juiz João Batista Gonçalves. "Todas as operações foram do curso natural da empresa. Não teve insider. Estou tranquilo em afirmar que foram operações normais da empresa", completou. 

Para o MPF (Ministério Público Federal), porém, há provas contundentes da prática de beneficiamento ao grupo. A procuradora Thaméa Danelon justificou a periculosidade de Joesley, que mesmo envolvido em outro caso praticou supostos crimes financeiros, chamando-o de "criminoso costumaz". "O Ministério Público Federal defende a manutenção da prisão para garantir a ordem pública e econômica", afirmou.

"Ato de covardia", diz Joesley Batista sobre perda da imunidade pela PGR

Joesley se defendeu, afirmando que não obteve lucro nem prejuízo nas operações. "O motivo da venda de ações foi a necessidade de fazer caixa. No entanto que a gente manteve as vendas. É um ativo líquido que a gente tem, já que os bancos têm restringido crédito para a gente", afirmou o empresário negando qualquer responsabilidade pelo vazamento do acordo de delação, agora sob o risco de ser anulado.

O empresário também chamou de "ato de covardia" a medida da PGR, de pedir a anulação da delação premiada. "Depois de tudo o que fizemos e entregamos de prova. Fui mexer com os poderosos e estou aqui agora. Estou pagando", afirmou.

Joesley já estava cumprindo prisão temporária em Brasília, no caso em que a PGR (Procuradoria-Geral da República) o acusa de omitir informações em seu acordo de colaboração premiada, mas o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), converteu a prisão preventiva nesta quinta-feira (14).

Por enquanto, Joesley ficará preso em São Paulo, mas poderá ser transferido para Brasília por determinação de instância superior.

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