"Saio com a alma incendiada, me sentindo abençoado", diz Temer em Belém

Do UOL, em São Paulo

  • Marcos Corrêa/PR

    Presidente Michel Temer segura imagem de Nossa Senhora de Nazaré enquanto conversa com o arcebispo de Belém Dom Alberto Taveira Corrêa, durante cerimônia no Pará

    Presidente Michel Temer segura imagem de Nossa Senhora de Nazaré enquanto conversa com o arcebispo de Belém Dom Alberto Taveira Corrêa, durante cerimônia no Pará

Um dia após seus advogados entregarem sua defesa à CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) da Câmara dos Deputados, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou estar com a "alma incendiada" durante ato que classificou como "religioso", em Belém (PA).

Temer participou na manhã desta quinta-feira (5) da assinatura um protocolo de intenções de doação de um terreno da União para a Igreja Católica, na semana em que se celebra o Círio de Nazaré. "Não se trata de um ato administrativo, mas religioso, que liga o nosso governo a uma entidade religiosa conhecida no mundo todo que é Nossa Senhora de Nazaré. Saio [daqui] animado, com a alma incendiada, me sentindo abençoado", disse, sem comentar a análise da segunda denúncia feita contra ele pelo ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot.

O ato oficializou a doação por parte da União de um terreno de 10,8 mil metros quadrados, no bairro de Nazaré, em Belém (PA), para a Arquidiocese de Belém, onde será construído o Centro Social e Cultural de Nazaré. A área pertencia à igreja até 1849, sendo doada ao governo. Hoje é ocupada pelo Exército.

O presidente disse que o ato era religioso evocando o significado da palavra religião, que vem do latim e significa religar. "Quando se pratica um ato dessa natureza, se está fazendo uma religação espiritual. E no particular, verifico que esta área significativa, no centro de Belém, fará uma religação com a espiritualidade do Círio de Nazaré, que é uma das festas mais significativas da religião católica, talvez uma das maiores do mundo e que merece o que está sendo feito aqui hoje", disse.

No evento, deputados estaduais entregaram a Temer um título de cidadão paraense. "Quando se nasce no lugar, o título de cidadão tem uma significação física. Mas quando se recebe de outro Estado, é o reconhecimento dos supostos trabalhos que tenho realizado ao país", glorificou-se.

Temer também exaltou o curto de espaço de tempo que levou para que seu governo oficializasse a doação à Igreja Católica, dizendo que isso simboliza a "presteza" da sua gestão. "Este ato foi consolidado em sete dias, é o símbolo da presteza com que o governo tem trabalhado. Precisamos fazer tudo rapidamente", disse Temer elencando o que disse ser avanços econômicos do seu governo.

O terreno doado pela União é ocupado atualmente pelo Comando do Exército e não será repassado à igreja tão rapidamente. O Exército terá que devolver a área à SPU (Secretaria do Patrimônio da União) em até 30 dias. A Arquidiocese de Belém, por sua vez, tem até três meses para apresentar um projeto para uso da área a ser analisado pela SPU.

Após o evento, a jornalistas, Temer lamentou o incêndio em uma creche em Janaúba, no norte de Minas Gerais, que matou ao menos quatro crianças. "Quero expressar a minha solidariedade, lamentar esse acontecimento e esperar que essas coisas não se repitam no Brasil, porque o mundo está muito convulsionado", disse o presidente classificando o episódio como lamentável. "Foi um lamentável acontecimento, temos que repudiar com a nossa consciência e com a nossa ação", disse.

Temer, Doria e Bolsonaro em Belém

No mesmo dia em que Temer desembarcou no Pará para o evento com a Arquidiocese de Belém, dois potenciais candidatos a serem seus sucessores também aproveitaram a semana do Círio de Nazaré, considerado o maior evento da fé cristã no mundo, para difundirem a sua imagem nacionalmente: o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

O parlamentar carioca tem chegada à capital paraense prevista para as 14h, e deve ser recepcionado por grupos de direita, como o Endireita Pará. A ideia é aproveitar a mobilização em torno do Círio, que atrai milhares de pessoas à cidade, para promover um desfile com Bolsonaro em um carro de som até um auditório, onde ele vai discursar para uma plateia de 1.500 pessoas. Os ingressos já estão esgotados.

Já Doria será o único que permanecerá na cidade até o fim de semana, que é quando de fato acontecem os festejos. Terá como anfitriã a cantora Fafá de Belém. Um título de cidadão belenense será entregue a Doria e ele concederá entrevistas a rádios locais, em uma agenda típica de um pré-candidato.

O Círio de Nazaré reúne cerca de 2 milhões de pessoas em Belém, número que aumenta a cada ano. Acontece há 224 anos e é considerado Patrimônio Cultural e Imaterial do Povo Paraense pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), tendo sido reconhecido pela Unesco, ligada às Nações Unidas, como Patrimônio Cultural da Humanidade. 

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