Eleições 2018

Empresário lança programa de bolsa para "lideranças políticas" e nega financiar campanha

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Jorge Araújo/Folhapress

    O empresário Eduardo Mufarej durante apresentação do Renova Brasil

    O empresário Eduardo Mufarej durante apresentação do Renova Brasil

Na semana em que o Congresso aprovou uma controversa reforma política, o empresário Eduardo Mufarej apresentou nesta sexta-feira (6), em São Paulo, o Renova Brasil, projeto que foi definido no evento de lançamento como "acelerador de lideranças políticas".

"A gente se considera uma aceleradora de lideranças políticas", disse a psicóloga Izabella Mattar, que falou sobre como as lideranças serão selecionadas para participar do Renova Brasil. "A gente tem o objetivo de impulsionar essas lideranças com uma central de inteligência política e ferramentas de comunicação."

A "aceleradora" citada pela psicóloga pode até lembrar o "acelera", bordão usado pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), desde as eleições de 2016. Mas o Renova Brasil é apartidário, não vai lançar candidatos e nem bancar campanhas eleitorais, segundo Mufarej.

"É um programa de formação e financiamento de lideranças que eventualmente poderão se tornar candidatos", disse Mufarej, que é presidente da Somos Educação, grupo de educação básica, e sócio do fundo de investimentos Tarpon. Ele se apresentou à plateia do evento como "voluntário do Renova Brasil".

Segundo o empresário, a captação de recursos para o Renova Brasil ainda não começou, mas o foco deverá ser "pessoas físicas essencialmente que possam ser patrocinadoras de bolsas" para os selecionados para o projeto.

Mufarej disse que as bolsas devem ficar entre R$ 5.000 e R$ 8.000 por mês, para um programa de formação que se estenderá de janeiro a junho do ano que vem e terá 150 inscritos após processo seletivo que começa neste sábado (7).

Antes da apresentação oficial, o Renova Brasil chegou a ser noticiado como um "fundo cívico" para candidaturas. Nomes conhecidos como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o apresentador de TV Luciano Huck são apoiadores do projeto.

Mufarej não citou nomes de pessoas que apoiam o Renova Brasil, mas disse ter recebido "endosso de muita gente, principalmente de quem tem compromisso com o Brasil".

Na apresentação do projeto, foram apontadas como apoiadoras empresas como a Kroll, companhia que atua em investigações corporativas.

"Certamente vamos levar em consideração a idoneidade do doador", disse o empresário.

Mufarej minimizou o pedido de investigação sobre o Renova Brasil protocolado esta semana pelo deputado federal Jorge Solla (PT-BA) na PGR (Procuradoria-Geral da República). Para Solla, o projeto seria uma forma de burlar a proibição à doação de pessoas jurídicas.

"A gente está apresentando o projeto hoje, então achei inusitado que alguém queira investigar algo que sequer foi apresentado para a sociedade", disse Mufarej.

Projeto não vai pautar candidatos, diz empresário

Mufarej negou que o Renova Brasil vai buscar pautar eventuais candidatos. A contrapartida, disse, é o cumprimento integral de um eventual mandato com transparência em relação a gastos e posições adotadas no cargo. Segundo ele, a iniciativa quer buscar pessoas de diferentes pensamentos políticos.

"Os movimentos vão ser os formuladores de agenda, os partidos vão ser os formuladores de agenda."

Segundo Mufarej, as eventuais candidaturas de bolsistas do Renova Brasil partirão dos próprios, e não da iniciativa. O empresário disse que não haverá restrição à filiação de bolsistas a qualquer partido político, mas eles não poderão já ter ocupado mandatos.

"A escolha é das pessoas. A gente não vai influenciar a escolha de nenhuma pessoa", afirmou. "A gente quer encontrar gente competente, com vontade de servir e que acredite na democracia."

"Velho domina política"

Apesar de ressaltar o caráter apartidário do Renova Brasil, dois jovens filiados aos partidos Novo e Rede participaram da apresentação do projeto como exemplos de potenciais lideranças que enfrentam dificuldades para se viabilizar politicamente. A atriz Maitê Proença também participou do evento.

Jorge Araujo/Folhapress
A atriz Maitê Proença participa do evento de lançamento do Renova Brasil

"Minha mãe acha que eu sou maluco" disse o economista Daniel Oliveira, filiado ao Novo, sobre sua entrada na política. Ele contou ser filho de uma diarista de Bragança Paulista (SP), mas conseguiu fazer faculdade com bolsa, trabalhar no mercado financeiro e fazer mestrado nos EUA.

Já Alessandra Monteiro, que foi a candidata a deputada estadual pelo PSB e hoje está na Rede, disse que é comum ouvir no Brasil que "política não é para gente honesta" e criticou o que chamou de "filhocracia" --a formação de uma linhagem de políticos da mesma família.

Alessandra não era a única filiada à Rede presente ao evento. José Gustavo, porta-voz do partido --cargo equivalente ao de presidente e também ocupado por Marina Silva-- também compareceu.

A fala de Oliveira e Alessandra seguiu o tom geral do evento, em que a política atual foi mostrada como um sistema atrasado e engessado, distante dos interesses da população e das gerações mais jovens.

"O velho quer continuar dominando a política brasileira", disse o economista Humberto Laudares, também voluntário do Renova Brasil, para quem o projeto tem que ser "disruptivo, empreendedor, Google-fashioned" (ao estilo Google, em tradução livre).

O processo seletivo do Renova Brasil vai até o fim de dezembro. O curso de formação das lideranças vai abrigar tópicos como "práticas anticorrupção" e sustentabilidade, além de estratégia eleitoral. Para participar, é preciso ter no mínimo 21 anos e não ter ocupado cargo eletivo.

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