Chamado de incompetente por Maia, advogado de Temer recua e diz que não houve vazamento criminoso

Do UOL, em São Paulo

  • DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

    Eduardo Pizarro Carnelós (centro), advogado do presidente Michel Temer, deixa Câmara dos Deputados ao lado do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), em Brasília

    Eduardo Pizarro Carnelós (centro), advogado do presidente Michel Temer, deixa Câmara dos Deputados ao lado do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), em Brasília

Chamado de incompetente e irresponsável pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o advogado Eduardo Carnelós -- responsável pela defesa do presidente Michel Temer na segunda denúncia criminal feita pela PGR (Procuradoria Geral da República) contra ele que será votada na Câmara -- recuou nas críticas ao que havia chamado de "criminoso vazamento" de vídeos de depoimentos da delação premiada do operador financeiro do PMDB Lúcio Funaro.

"Quando divulguei nota ontem, referindo-me a vazamento que qualifiquei como criminoso, eu desconhecia que os vídeos com os depoimentos de Funaro estavam disponíveis na página da Câmara dos Deputados", afirma Carnelós em nota divulgada por sua assessoria de imprensa neste domingo (15). "Aliás, considerando os termos da decisão do ministro Fachin [Edson Fachin, o STF], eu não poderia supor que os vídeos tivessem sido tornados públicos. Somente fiquei sabendo disso por meio de matéria televisiva levada ao ar ontem", diz a nota.

O teor dos vídeos com os depoimentos da colaboração premiada de Funaro começou a ser divulgado pelo jornal "Folha de S. Paulo" na sexta-feira (13). No sábado (14), Carnelós divulgou uma nota condenando o suposto vazamento ilegal dos vídeos com o intuito de "causar estardalhaço" às vésperas da votação da segunda denúncia contra o presidente na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Na ocasião, a "Folha de S. Paulo" publicou que obteve o vídeo por vias oficiais e não vazamentos.

Uma reportagem na TV Globo na noite de ontem repercutia os depoimentos divulgados pela "Folha", e informava que todo o material estava disponível para acesso público no site da Câmara dos Deputados. Neste domingo, Maia afirmou ao jornal que sente-se agredido pelas declarações do advogado de Temer após a divulgação dos vídeos.

"Jamais pretendi imputar ao Presidente da Câmara dos Deputados a prática de ilegalidade, muito menos crime, e hoje constatei que o ofício encaminhado a S. Ex.ª pela Presidente do STF, com cópia da denúncia e dos anexos que a acompanham, indicou serem sigilosos apenas autos de um dos anexos, sem se referir aos depoimentos do delator, que também deveriam ser tratados como sigilosos, segundo o entendimento do Ministro Fachin, em consonância com o que tem decidido o Supremo Tribunal", afirma Carnelós neste domingo após a polêmica.

"No dia 25 de setembro deste ano, requeremos ao ministro Fachin acesso aos autos do inquérito 4327, bem como a todos os anexos que o compõem, inclusive delação de Lúcio Funaro e os termos de declarações que a integram. S. Ex.ª deferiu nosso pedido, mas limitou o acesso à delação à parte dela que dissesse respeito ao presidente da República", diz o comunicado da defesa de Temer.

"Reitero que a divulgação daqueles vídeos pela imprensa causa prejuízos ao presidente da República. Não se pode admitir o uso da palavra do confesso criminoso para influenciar os membros da Câmara, que votarão na CCJC o muito bem fundamentado parecer do deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição à solicitação de autorização para processar o presidente Temer."

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