Planalto decide esperar atitudes de Maia nesta terça para avaliar fidelidade dele ao governo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • André Dusek/Estadão Conteúdo

O núcleo-duro do Palácio do Planalto decidiu esperar pelas atitudes a serem tomadas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta terça-feira (17) para avaliar a fidelidade dele para com o governo. Depois disso, o Planalto deve delinear suas estratégias para tentar conter quaisquer avanços de Maia não previstos perante a base e até mesmo a oposição.

No fim de semana, Maia e o advogado do presidente da República, Michel Temer (PMDB), Eduardo Carnelós, trocaram farpas publicamente por causa da divulgação de vídeos da delação premiada do operador financeiro Lúcio Funaro no portal da Câmara. A delação de Funaro foi usada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot para embasar a denúncia por obstrução de Justiça e formação de organização criminosa contra Temer.

Carnelós chamou a divulgação dos vídeos de "criminoso vazamento". Maia percebeu a crítica como um ataque pessoal e chamou o advogado, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, de "incompetente e irresponsável". Segundo Maia, Carnelós será processado por servidores da Casa por terem cumprido seu dever técnico e azedou a relação já muitas vezes difícil com o Planalto ao dizer que, daqui para a frente, irá cumprir exclusivamente seu papel institucional de presidir a sessão da denúncia na Câmara.

Na avaliação de assessores do Planalto, a fala de Carnelós foi infeliz e precipitada. Por outro lado, avaliam, Maia aproveitou o pretexto para aprofundar a discórdia que vem tomando conta do ambiente e, inclusive, estudar se consegue dificultar a aprovação da denúncia no plenário da Casa.

Para auxiliares do governo, Maia pode estar vislumbrado a possibilidade de assumir a Presidência, já que é o primeiro na linha sucessória, mesmo que por alguns meses. As mesmas declarações de assessores do Planalto foram dadas na época da primeira denúncia e agravaram o relacionamento de Maia e Temer, que teve de atuar para arrefecer a situação.

A nova crise acontece justamente na semana em que está previsto o início das discussões da denúncia na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Câmara. O parecer pela rejeição da peça apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) já foi apresentado pelo deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) na semana passada e tem de ser discutido antes da votação.

Na manhã desta segunda-feira (16), o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB), teve de entrar em cena para acalmar os ânimos de Maia perante o Planalto e tentar mensurar o nível de estresse causado. Segundo assessores, a conversa foi boa e Maia indicou que não ficará no caminho do Planalto na tentativa de barrar a denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

Nesta segunda, não houve quórum para abrir sessão plenária, nem reunião da CCJ. Para que a denúncia continue a tramitar na Câmara e seja encerrado o tempo do pedido de vista, é preciso que mais uma sessão ocorra no plenário da Casa.

No entanto, não se pode fazer uma relação direta entre a ausência desta segunda-feira e a quebra de braço interna do governo, por ser um dia geralmente com poucos parlamentares em Brasília.

A próxima reunião da CCJ está marcada para esta terça às 10h. No entanto, se Maia quiser atrasar o andamento da denúncia para inflar os ânimos da oposição e tentar rachar a base governista, segundo aliados de Temer, ele pode estender a sessão em plenário marcada para as 9h ou nem abri-la. A primeira opção se deve à impossibilidade de haver trabalhos na Câmara ao mesmo tempo que a ordem do dia. A segunda, por provocar a necessidade de mais uma sessão plenária para que a discussão na CCJ tenha início.

De acordo com o calendário previsto pela comissão até o momento, as discussões devem se estender até quarta (18) ou quinta (19). Caso não sejam finalizadas até a manhã de quinta, é grande a possibilidade de o parecer de Andrada ser votado somente na próxima semana. Esse cenário atrasaria a análise da denúncia no plenário da Câmara.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos