"Não vou ensinar o presidente", diz Maia sobre relação de Temer com deputados

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Fátima Meira/Estadão Conteúdo

Minutos depois da votação que suspendeu o andamento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente Michel Temer (PMDB), nesta quarta-feira (25), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que não vai "ensinar" Temer a como lidar com sua base de apoio.

"Cada um tem que conduzir sua relação da forma que entende. Eu não vou ficar ensinando ao presidente da República, que foi presidente da Câmara três vezes, como é que ele tem que ter a relação dele com o Parlamento", afirmou Maia.

Após conseguir uma vantagem de 33 votos na votação da primeira denúncia contra ele na Câmara, o presidente Michel Temer viu o saldo positivo cair quase pela metade durante a sessão que barrou o segundo processo. Com o placar de 251 votos contra a denúncia a 233 favoráveis, a diferença passou a ser de 18 votos. No dia 2 de agosto, o resultado foi mais elástico: 263 a 227.

A declaração de Maia acontece em meio ao desgaste dos últimos dias na relação entre Maia e Temer. O presidente da Câmara reclamou de movimentos com a "digital" do Planalto contra ele e o DEM, mas disse que nunca utilizou seu cargo para revidar.

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"Em nenhum momento eu utilizei a presidência da Câmara, mesmo nos momentos em que o Planalto, muitas vezes com a sua digital, me desrespeitou ou ao meu partido. Em nenhum momento eu tive alguma atitude que fosse influenciar nas denúncias", afirmou.

Maia avaliou que Temer e sua equipe terão de trabalhar para recompor a base governista, abalada pelo desgaste causado pela votação das duas denúncias feitas pela PGR. "Tenho convicção de que o presidente, pela experiência que tem, pelo difícil momento que viveu, saberá refletir nos próximos dias pra ver qual o melhor caminho para que ele consiga reestabelecer sua relação com a câmara dos deputados", disse Maia.

Maia defende Reforma da Previdência e mudanças no pré-sal

Na entrevista coletiva, Maia disse que a ideia é que, a partir de novembro, a Câmara dos Deputados possa retomar a votação das pautas econômicas do governo. A prioridade, segundo ele, será a Reforma da Previdência. Maia defende uma reforma mais "enxuta" para evitar resistências que inviabilizem uma eventual aprovação.

Segundo o presidente da Câmara, o Parlamento deverá se focar em dois pontos da polêmica Reforma da Previdência: a fixação de uma idade mínima para a aposentadoria e a revisão do sistema de Previdência do servidor público.

Segundo Maia, a diferença entre os sistemas de previdência do servidor público e o do trabalhador da iniciativa privada é o maior sistema de "distribuição de renda" do mundo, mas de forma invertida. "Esse sistema tira dinheiro de quem tem pouco para quem ganha mais (servidor público)", disse Maia.

Ele também disse que, nas próximas semanas, a Câmara deverá se focar em projetos de lei que mudem o sistema de operação de poços de petróleo do pré-sal e em matérias ligadas à segurança pública.

Temer foi denunciado duas vezes pela PGR. Na primeira, ele foi acusado de corrupção passiva por seu suposto envolvimento no pagamento de propina feito por executivos do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A segunda denúncia acusou Temer de ter participado dos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa. A defesa de Temer nega todas as acusações e afirma que as denúncias tinham motivações políticas. As duas denúncias, que precisavam da autorização da Câmara dos Deputados para serem processadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), foram suspensas pelo plenário da Casa.

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