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Petrobras sempre teve um papel importante para a Odebrecht, diz Emilio

Emilio diz que estimulou que executivos do grupo a fecharem acordo de colaboração - Caio Guatelli/Folhapress
Emilio diz que estimulou que executivos do grupo a fecharem acordo de colaboração Imagem: Caio Guatelli/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

31/10/2017 13h11Atualizada em 31/10/2017 13h32

Patriarca do grupo Odebrecht, Emilio Odebrecht disse, em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, que a Petrobras “sempre teve um papel importante para a organização”. Emilio foi ouvido, nesta terça-feira (31), por videoconferência, como testemunha de defesa de seu filho, Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira. Por ter fechado acordo de colaboração com o MPF (Ministério Público Federal), Emilio não pode mentir no depoimento.

Marcelo é réu no processo ao lado do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine e outras quatro pessoas em função de um esquema de corrupção envolvendo a Odebrecht e a estatal. Bedine é investigado pela força-tarefa da Operação Lava Jato no MPF pelo recebimento de R$ 3 milhões em propina da empreiteira.

“Ao mesmo tempo, ela [Petrobras] era sócia, cliente, fornecedora. Ela exercia várias facetas em relação com a organização [Odebrecht], de coisas importantes para a organização”, disse Emilio, que preside o conselho do grupo Odebrecht. “Eu diria que é uma história longa, de uma relação longa, e, cada vez mais, ela foi ampliando essas facetas”.

Segundo o patriarca, ele se encontrou com Bendine "uma ou duas vezes" para tratar de um contrato com a Petrobras que foi cancelado pela estatal. O ex-presidente da Petrobras, porém, tem outra versão. À PF (Polícia Federal), ele havia dito que, em 2015, teve um "encontro oculto" com Emilio. Marcelo Odebrecht já estava preso na ocasião. Bedine disse ter se sentido ameaçado na conversa, que foi combinada por um executivo da empreiteira.

Sobre a quantia dada ao executivo, Emilio disse que só veio a saber dela durante as tratativas por um acordo de colaboração de 77 executivos da Odebrecht com o MPF. Delatores do grupo Odebrecht já afirmaram que distribuíram propina a mais de 1.800 políticos de 28 partidos.

“Só vim a saber dessa relação de acertos, se é que existiram, no período de meados de 2016, já no andamento bastante adiantado da colaboração”, disse após ser questionado a respeito pela defesa de seu filho. “Então, eu não teria maiores esclarecimentos a dar sobre isso”. Tanto Marcelo quanto Emilio fecharam acordos de delação.

O patriarca, inclusive, ressalta que estimulou que os executivos do grupo se tornassem delatores. “Tentei desempenhar um papel de que os 77 colaboradores procurassem dizer tudo aquilo que era verdade”, pontuou. “Fiz um papel de indutor, de estimulador de todos meus companheiros que se tornaram colaboradores a transmitir tudo que eles sabiam”.

Dilma diz que interesse na Odebrecht não era por doação

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Dilma falou de "importância"

Na sexta-feira (27), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) disse, em depoimento a Moro, que o governo tinha interesse no grupo Odebrecht não em função de doação para campanhas políticas, mas pela importância de suas empresas. “Tínhamos uma relação de grande interesse não para que eles contribuíssem ou não para a campanha, mas pela importância que o grupo tinha e, acredito que ainda tem, na economia brasileira”, disse Dilma.

Dilma depôs como testemunha de defesa de Bendine. A ex-presidente foi questionada pelo advogado José Diniz, que defende o doleiro André Gustavo, suspeito de ser responsável por repasses de propina e um dos réus na ação penal, se “assuntos de interesse da Odebrecht eram sondados junto à Presidência da República para que efetivamente as decisões fossem tomadas no Banco do Brasil”. Bendine comandava o banco antes de assumir a Petrobras.

"Eu não tenho sequer o mais pálido conhecimento desse tipo de atitude do grupo Odebrecht”, disse Dilma. “Aliás, eu acredito que o grupo Odebrecht, como qualquer outro grande grupo brasileiro, merecia toda a atenção do governo. Muitas vezes a gente concordava com os rumos propostos pelo grupo. E é público e notório que muitas vezes também nós discordávamos”, disse a ex-presidente.

Confira na íntegra o depoimento da ex-presidente a Moro

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Reta final

A etapa de oitiva de testemunhas dos acusados nesta ação penal já está em sua reta final. As últimas audiências já marcadas acontecem na tarde desta terça-feira (31). Moro já definiu as datas dos interrogatórios dos réus. Odebrecht será ouvido em 9 de novembro e Bendine, no dia 22 do mesmo mês.

Na sequência, as defesas fazem pedidos a Moro para acrescentar novos itens ao processo e apresentam suas alegações finais. Apenas após a apresentação das observações dos defensores é que o juiz irá proferir sua sentença.

Pelo andamento do processo, é provável que isso aconteça apenas no ano que vem.

Em setembro, tribunal rejeitou pedido de liberdade de Bendine

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