Violência no Rio

Maia cobra que ministro da Justiça apresente provas sobre "graves acusações"

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Renato Costa/Folhapress

    O ministro da Justiça, Torquato Jardim

    O ministro da Justiça, Torquato Jardim

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou nesta quarta-feira (1º) que o ministro da Justiça, Torquato Jardim, apresente provas sobre as "graves acusações" contra o comando da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro.

Em nota, Maia disse esperar que o governo federal se pronuncie oficialmente sobre as falas de Jardim. O deputado afirmou ainda que "o Rio espera ações do governo e do ministro da Justiça". Na Itália, em viagem oficial, ele disse ter recebido "com perplexidade" as declarações do ministro.

Nesta terça, o Blog do Josias, do UOL, publicou entrevista na qual Jardim declarou que o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, e o secretário de Segurança do Estado, Roberto Sá, não controlam a Polícia Militar.

O ministro também declarou que o comando da corporação decorre de "acerto com deputado estadual e o crime organizado" e que os "comandantes de batalhão são sócios do crime organizado no Rio".

"Denúncia sem prova"

Questionado pelo UOL nesta quarta, o presidente da Câmara afirmou em mensagens de texto que não sabe se as falas têm "conotação eleitoral", mas frisou que "denúncia sem prova não vai ajudar".

Pouco antes, seu pai, o vereador do Rio de Janeiro e ex-governador do Estado, César Maia (DEM-RJ), publicou no Twitter que o ministro deve "estar fazendo campanha" para o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2018.

"Ouvido no Planalto: - 'Ministro da Justiça deve estar fazendo campanha para o Bolsonaro'", escreveu o vereador. Nesta terça, ele afirmou que Jardim "pirou".

"Vale para ele o que acusaram Temer. Se sabe algo que preste depoimento já, nominando", cobrou o vereador, fazendo referência às acusações de que o presidente Michel Temer (PMDB) prevaricou ao ouvir do empresário Joesley Batista que este estaria subornando juízes e não informar às autoridades.

Pezão vai ao STF por explicações

Também nesta quarta, Pezão anunciou que o Estado do Rio vai interpelar judicialmente o ministro para esclarecimentos sobre as declarações, segundo informou Roberto Sá. O objetivo do procedimento é que Jardim "informe o que ele tem contra a cúpula (da polícia) e os policiais".

A representação foi encaminhada na tarde de hoje ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A interpelação judicial é usada para casos, referências, alusões ou frases, em que se infere calúnia, difamação ou injúria. Quem se julga ofendido, pode pedir explicações em juízo. Quem se recusa a responder, ou não se justifica, pode responder por ofensa.

A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça informou que Torquato Jardim não vai se manifestar sobre a iniciativa de Pezão.

Ao UOL, Maia disse que as falas do ministro "podem ter atrapalhado o trabalho iniciado pela força-tarefa" composta por integrantes dos ministérios da Justiça, Defesa e do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

O grupo de trabalho foi oficializado em solenidade na PGR, em Brasília, na tarde desta terça (31), e tem como objetivo a atuação conjunta no enfrentamento de crimes federais no Estado do Rio.

Na ocasião, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que a sociedade fluminense está "encurralada" e "exposta" ao crime organizado. "O Rio de Janeiro vive hoje uma situação de vulnerabilidade. Nós temos hoje uma sociedade encurralada, exposta", declarou.

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