Após crise com Rio, Ministério da Justiça diz que apreensão de munição cresceu

Do UOL, no Rio

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    Pezão questionou Jardim formalmente no STF

    Pezão questionou Jardim formalmente no STF

Após a crise gerada com o governo do Rio de Janeiro pelas declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, sobre corrupção policial e conivência das autoridades públicas fluminenses com o crime, o Ministério da Justiça informou, em nota divulgada nesta sexta-feira (3), que ampliou em mais de 1.000% a apreensão de munições armas de fogo apreendidas pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) nas vias que ligam Estados da faixa de fronteira e o Rio de Janeiro.

Nesta quinta-feira (2), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que entrou com uma representação no STF questionando formalmente as declarações do ministro, aproveitou para alfinetar o desempenho do governo federal no auxílio à secretaria estadual de segurança.

"O que não se pode é julgar uma corporação inteira, uma corporação que está na rua enfrentando criminosos que possuem armas poderosas que nem os policiais têm autorização para usar. Não fabricamos fuzis no Estado, mas apreendemos quase 400 fuzis este ano", disse, ao fazer referência ao tráfico de armas entre os Estados, apontado como um dos principais entraves ao combate do tráfico de drogas.

Em entrevista ao blogueiro do UOL Josias de Souza, Jardim disse que o sistema de segurança pública do Rio não é controlado por suas autoridades, mas sim por um acordo entre deputados estaduais e o crime organizado, e que comandantes da polícia "são sócios" do crime.

Segundo o Ministério da Justiça, em 113 dias da Operação Égide, foram recolhidas 73.076 unidades de calibres usados em revólveres, pistolas, metralhadoras e fuzis - número 1.035% superior aos do mesmo período em 2015 e 488% maior que em 2016.

"Trata-se de uma ação contínua para obrigar o crime organizado a gastar os recursos que tem. O governo federal cercou a chegada de munição na capital e no estado do Rio de Janeiro. Os bandidos estão perdendo a guerra da logística porque houve estrangulamento logístico", afirmou Jardim.

De acordo com o ministro, as ações têm o Rio como foco, "pois há uma força-tarefa do governo federal em andamento devido à crise de segurança pública no Estado, mas beneficiam todos os Estados do país".

Segundo o governador, se há indícios de corrupção entre os agentes da PM fluminense, isso precisa ser investigado. "Não é possível deixar uma corporação com 49 mil policiais sob suspeita" afirmou Pezão. Pezão lembrou ainda que outros órgãos, como a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e Câmara dos Deputados, também estão questionando o ministro. "Isso precisa ser esclarecido não só para a Polícia Militar, mas para toda a população."
 

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