Cunha diz que vai pedir que PGR investigue delação de Funaro

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou nesta segunda-feira (6) que seu advogado vai pedir que a PGR (Procuradoria-Geral da República) investigue o acordo de colaboração do delator Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB, por ter supostamente mentido e escondido fatos.

"Nós vamos representar à Procuradoria-Geral da República para que possa fazer reexame da delação de Lúcio Funaro", disse o peemedebista em depoimento à 10ª Vara Federal de Brasília.

Cunha acusa o antigo corretor de valores de ter mentido em sua delação sobre o envolvimento do ex-deputado em esquemas de corrupção. O ex-deputado prestou depoimento nesta segunda-feira (6) como réu no processo.

Ambos são réus na Justiça Federal de Brasília em ação sobre suposto esquema de corrupção na Caixa Econômica que envolveria cobrança de propina para a liberação de recursos do FI-FGTS, fundo de investimentos ligado ao banco estatal.

A denúncia aponta que, entre os anos de 2011 e 2015, o esquema funcionava por meio da cobrança de propina de empresas para liberar investimentos feitos com recursos do FI-FGTS.

Indicação para a Caixa

Uma peça-chave no esquema, segundo a acusação, era o então vice-presidente de Fundos de Governo e Loteria da Caixa Fábio Cleto, que representava o banco no comitê de investimentos do FI-FGTS e fechou acordo de colaboração premiada.

Os delatores dizem que Cunha foi o principal responsável pela indicação e manutenção de Cleto no cargo.

Em seu depoimento à 10ª Vara Federal, o ex-vice-presidente da Caixa afirmou que a aprovação dos projetos pela Caixa sofria influência de Cunha e de Funaro. "Desde o início comecei sob orientação de Lúcio Funaro ou de Eduardo Cunha", disse.

Segundo Cleto, ele informava a Cunha e Funaro quais empresas tinham pedidos de financiamento e aguardava a resposta de Cunha ou Funaro sobre se deveria reter ou dar seguimento à aprovação do pedido. Segundo o delator, posteriormente ele era informado do valor de propina cobrado das empresas.

Apesar de os financiamentos serem decididos por 12 votos do conselho que deliberava sobre os investimentos, Cleto afirmou considerar que seu voto exercia influência sobre os demais, pelos argumentos técnicos que trazia. "Não acredito que meu voto era o decisivo, mas acredito sim que tive influência dentro desse comitê", afirmou Cleto.

A denúncia cita nove casos em que teria sido cobrado propina pelo grupo ligado a Cunha para a aprovação de projetos do FI-FGTS.

O delator Lúcio Funaro, que atuava como corretor de valores e indicou Cleto a Cunha, afirma ter como provar todos os pagamentos que ele fez para o ex-deputado.

"Eu tenho como provar como gerei o dinheiro, como paguei, que eu paguei o advogado dele na Suíça, tenho todas essas provas. Aí eu quero ver como ele vai negar", disse Funaro eu depoimento à 10ª Vara Federal

O delator Alexandre Margotto, que trabalhou na empresa do corretor, em São Paulo, disse em seu depoimento ter visto um funcionário de Cunha buscar dinheiro no escritório de Funaro. O próprio Funaro afirmou, também em audiência desse processo, que Cunha teria alugado um flat próximo ao escritório dele para buscar dinheiro de propina e distribuir a aliados.

Cleto, Funaro e Margotto, réus nesse processo, firmaram acordos de colaboração premiada com a Justiça. Eduardo Cunha tem negado o envolvimento em qualquer prática ilegal e afirma que Funaro mente. A defesa de Henrique Alves afirma que não há provas contra ele.

Veja a íntegra do depoimento de Eduardo Cunha (Parte 1)

Veja a íntegra do depoimento de Eduardo Cunha (Parte 2)

Veja a íntegra do depoimento de Eduardo Cunha (Parte 3)

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