Imbassahy estuda migrar para o PMDB para ser remanejado em reforma ministerial

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    Ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB-BA)

    Ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB-BA)

O ministro da Secretaria de Governo e um dos maiores defensores do presidente da República, Michel Temer, Antonio Imbassahy (BA), estuda sair do PSDB e se filiar ao PMDB, sigla do presidente e dos demais ministros do núcleo duro do governo, Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Segundo apurou o UOL, ele conversa com a cúpula do PMDB para migrar para o partido. As conversas, no entanto, estão em fase inicial e ainda não há definição sobre a mudança. Além do racha interno vivido pelo PSDB, outro fator que pesa a favor da troca é a ascensão de seu adversário político na Bahia, sua base eleitoral, deputado Jutahy Júnior, para a disputa do Senado em 2018. Com a migração de partido, o tucano seria remanejado nas mudanças da reforma ministerial do governo.

Imbassahy, cujo ministério é responsável pela articulação política do Planalto, faz parte da chamada "ala Jaburu" do PSDB, que defende Temer e não quer o desembarque do partido do governo. Os tucanos estão divididos há meses e a crise interna se agravou na semana passada com a destituição do então presidente interino, senador Tasso Jereissati (CE), pelo presidente titular, senador Aécio Neves (MG).

Este tinha se afastado do cargo devido ao suposto envolvimento em esquemas de corrupção com delatores do grupo J&F, que controla o frigorífico JBS. A delação do grupo ao Ministério Público Federal também serviu como base para as denúncias oferecidas pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O UOL procurou a Secretaria de Governo nesta segunda-feira (13), que não se pronunciou até a publicação deste texto.

Reforma ministerial até o fim do mês

Embora Michel Temer prefira minimizar a necessidade da reforma ministerial por causa da provável saída do PSDB do governo e da pressão dos partidos do centrão por mais espaço na Esplanada, trocas nas pastas são dadas como certas até o final de novembro por assessores do Planalto, ainda mais após o pedido de demissão do ministro das Cidades, Bruno Araújo.

O chamado centrão abrange deputados federais de siglas como PP, PR, PSC, Pros, PTB, PSD, PRB, Avante, PSL e Solidariedade, e que ajudaram a arquivar na Câmara a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente, Moreira e Padilha.

Segundo interlocutores, Araújo e Luislinda Valois (Direitos Humanos) deverão dar lugar a indicados pelo centrão, enquanto Imbassahy e Aloysio Nunes (Relações Exteriores) deverão ser remanejados para outras pastas, em especial da área social. O formato em que isso se dará e o destino de cada um será analisado ao longo desta semana.

Na avaliação de um assessor, o caso mais fácil de resolver é o do Ministério das Relações Exteriores, por ser uma pasta sem polêmicas e com agenda previsível. "É preciso um ministro mais de gestão", disse.

No quebra-cabeça do troca-troca, o Planalto levará em conta quais ministros poderão ser exonerados sem que sejam "ameaçados" pelo fim do foro privilegiado. Ou seja, titulares de pastas que não teriam problema em sair do cargo e perder o benefício por serem citados em algum escândalo de corrupção.

A expectativa é que a reforma ministerial saia até o fim do mês. O prazo leva em consideração o tempo de conversas para tentar garantir o apoio do centrão à reforma da Previdência – empacada, mas pronta para ser votada na Câmara – e o desembarque do PSDB do Planalto, que pode acontecer antes da convenção nacional do partido, marcada para 9 de dezembro.

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