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Moro ordena prisão preventiva de ex-gerente da Transpetro

Terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ), operado pela Transpetro - Thelma Vidales/Divulgação/Transpetro
Terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ), operado pela Transpetro Imagem: Thelma Vidales/Divulgação/Transpetro

Do UOL, em São Paulo

24/11/2017 16h42

O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Justiça Federal do Paraná, ordenou nesta sexta-feira (24) a prisão preventiva de José Antônio de Jesus, ex-gerente da Transpetro. Ele é acusado de receber propina repassada ao PT -- o partido nega envolvimento no caso.

José Antônio foi preso na terça-feira (21), na operação Sothis, a 47ª fase da Lava Jato. Naquele momento, Moro havia decretado apenas a prisão temporária, com duração de cinco dias. A preventiva não tem prazo pré-definido.

O suspeito não trabalha mais na Transpetro mas, segundo Moro, isso "em nada esvazia os riscos ora identificados, já que estes estão associados à reiteração dos crimes de lavagem, dissipação de ativos milionários e fuga, além da própria gravidade em concreto das condutas de corrupção e lavagem."

Ainda de acordo com o juiz, é "inviável" substituir a prisão preventiva por outras medidas cautelares, já que "não há como prevenir novos atos de lavagem e de dissipação de ativos com medidas cautelares alternativas, especialmente quando desconhecido o local onde se encontram os ativos dissipados".

Entenda o caso

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato no MPF (Ministério Público Federal), José Antônio, familiares e intermediários são suspeitos de atuarem no recebimento de R$ 7 milhões de propinas pagas pela NM Engenharia entre setembro de 2009 e março de 2014. Parte da investigação usou informações fornecidas pela empresa em acordo de leniência e delação premiada

O ex-gerente teria pedido inicialmente o pagamento de propina de 1% do valor dos contratos da empresa com a Transpetro, subsidiária da Petrobras que atua na área de transporte e logística de combustíveis. Entretanto, o acerto final ficou em 0,5%.

"Este valor foi pago mensalmente em benefício do PT, de modo independente dos pagamentos feitos pela mesma empresa [de engenheria] a pedido da presidência da Transpetro, e que eram redirecionados ao PMDB", diz o MPF.

As provas indicam que Jesus recebeu suborno para favorecer a empresa de engenharia em contratos com a Transpetro, aponta a força-tarefa. "Para dissimular e ocultar a origem ilícita dos recursos, o valor foi pago por meio de depósitos realizados em contas bancárias de terceiros e familiares, vindo de contas de titularidade da empresa de engenharia ou de seus sócios".

Em nota divulgada na terça, o PT negou participação nos fatos e diz que, "mais uma vez, a Lava Jato busca os holofotes da mídia para fazer acusações ao PT, sem apresentar fatos para comprovar o que diz". "A cada dia fica mais claro que os procuradores de Curitiba se desviaram do combate à corrupção para fazer guerra judicial e midiática contra o partido. O PT não tem qualquer participação nos fatos investigados e tomará as medidas judiciais cabíveis diante das condutas levianas e ilegais de quem acusa sem provas".

Também na terça, a Transpetro disse que é "vítima nesses processos e presta todo apoio necessário às investigações da Operação Lava Jato". A empresa afirmou que apura "denúncias de irregularidades em contratações da companhia envolvendo o ex-funcionário José Antônio de Jesus" e que todas as informações obtidas foram encaminhadas ao MPF.

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