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Segovia defende 'transparência' e 'parceria' entre Polícia Federal e imprensa

O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia - Pedro Ladeira/Folhapress
O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Eduardo Militão

Colaboração para o UOL, em Brasília

24/11/2017 12h00

O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, defendeu "transparência" e "parceria" com a imprensa nas investigações policiais.

Em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (23), ele acrescentou que "sempre trabalhou" com jornalistas que "auxiliavam em algumas investigações", mas negou que se tratasse de qualquer tipo de vazamento ilegal de dados sigilosos.

Na conversa, Segovia não quis comentar que tratamento a polícia vai dar ao inquérito que investiga o presidente Michel Temer e o decreto que prorrogou os contratos dos portos por 70 anos.

O diretor-geral disse que a parceria com a imprensa será feita de duas maneiras. "De vez em quando vocês começam alguns trabalhos investigativos e apresentam para a polícia e aí continua o trabalho que a polícia tem que fazer", afirmou.

A outra maneira é apoiar repórteres que prestam informações à corporação com suas reportagens. "Não vou abrir a investigação para o jornalista", explicou. "A gente vai auxiliar os jornalistas investigativos que trouxerem informações, problemas de investigação de natureza federal, para que a gente possa auxiliar."

"Não há vazamento"

Segovia diz considerar que a PF hoje é transparente, mas entende que é possível melhorar. "A gente já tem uma transparência muito grande, mas talvez seja muito mais esse tipo de parceria, que alguns jornalistas de confiança que repassam informações em que a gente possa trabalhar em conjunto."

Ele nega possibilidade de vazamentos. "Numa parceria, o jornalista traz a informação e a gente continua a investigação. Não há vazamento. Nossas investigações, quando deixam de ser secretas, a gente abre para que a imprensa dê a publicidade, mostre ao público", diz.

Na noite de quarta-feira (22), Segovia surpreendeu alguns agentes que participavam do Congresso de Jornalismo e Segurança Pública em Brasília, promovido pela Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), aparecendo para encerrar o evento.

"Quando esse país realmente começar a passar a limpo, houver transparência nos atos públicos, houver uma transparência na gestão da coisa pública, o país começa a melhorar", afirmou.

"Eu sempre acreditei que esse jornalismo investigativo, a tratativa com a imprensa na investigação policial, ela é fundamental para o país", disse Segovia no evento "A gente precisa muito dessa parceria, inclusive com os jornalistas, com o jornalismo investigativo."

Segundo ele, os 11 mil policiais federais --delegados, agentes, escrivães, papiloscopistas e peritos-- têm trabalhado com "afinco" e com "espírito de luta". "Acredito que os jornalistas do Brasil inteiro, investigativos, têm o mesmo espírito da Polícia Federal. Eu acredito muito que essa parceria seja realmente em prol de todos nós", continuou.

Inquérito dos portos contra Temer

Temer e Segovia - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Temer não discursou no evento de transferência do cargo para Segovia
Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Segovia não quis comentar a situação do inquérito que investiga o presidente Michel Temer pelo decreto que prorrogou as licenças de funcionamento dos portos por 70 anos.

A investigação apura se houve pagamento de propina ao presidente operado pelo ex-assessor Rodrigo Rocha Loures --o mesmo que foi flagrado com uma mala de R$ 500 mil paga pela JBS, dias depois de Temer orientar o dono da empresa a procurar Loures. 

O UOL perguntou a Segovia se o inquérito dos portos teria prazo para ser concluído ou se haveria prioridade no trabalho. "Depois a gente conversa sobre esse assunto", desconversou o diretor-geral, encerrando a entrevista. 

Segovia está no Nordeste para as posses do novo superintendente da PF na Paraíba, André Viana Andrade, e em Pernambuco, Cairo Duarte.

Aumento de suicídios na corporação

No encerramento do congresso, Segovia fez um aceno a uma reclamação dos chamados "Epas", expressão usada para designar escrivães, papilocopistas e agentes, em conflito interno com os delegados.

Ele disse que nomeou o delegado Clayton Xavier para cuidar do setor de recursos humanos, em um período que sucedeu uma série de suicídios na corporação. Houve 42 mortes entre 1999 e 2015, segundo dados da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais).

Segovia disse o novo diretor de Gestão de Pessoas é "pessoa que tem o coração grande" e que vai tratar dos casos de suicídio de uma "mudança de paradigma no tratamento interno da PF".

Ele disse ao UOL que os números de suicídios são "altos" e que vai usar a equipe de psicólogos da corporação para fazer um programa de atendimento aos policiais que atuam em áreas sensíveis, como fronteiras, confrontos armados, operações especiais e infiltrados secretamente em organizações criminosas. "Tem até um estudo de um psicólogo da PF para a gente que vai tentar reverter esse quadro", afirmou Segovia.

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