Eleições 2018

Lula não é imbatível, avalia Maia; Meirelles acha difícil trabalhar com o petista de novo

Daniela Garcia, Leonardo Martins e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo*

  • Paulo Lopes/Futura Press/Estadão Conteúdo

    27.nov.2017 - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante evento organizado pela revista Veja em São Paulo

    27.nov.2017 - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante evento organizado pela revista Veja em São Paulo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira (27) que candidatos ao pleito presidencial de 2018 não devem temer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como concorrente.

"O Lula não é imbatível. Ele terá um segundo turno dificílimo", disse Maia durante evento realizado pela revista Veja nesta segunda em São Paulo.

"Para ganhar a esquerda, ele vai precisar de um discurso mais radicalizado", avaliou o deputado federal.

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Já o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que foi presidente do BC (Banco Central) nos dois mandatos do petista, não se vê como membro da equipe econômica em um hipotético terceiro mandato de Lula caso seja convidado. O ex-presidente atualmente lidera as pesquisas de intenção de voto na disputa pelo Planalto em 2018.

"As propostas que estão sendo feitas hoje pelo ex-presidente estão indo muito no sentido contrário daquilo que está sendo feito, tirando o Brasil da crise", avaliou, referindo-se a falas de Lula contra as reformas apoiadas por Meirelles no governo do presidente Michel Temer (PMDB). "Nesse aspecto, acredito que as margens para um acordo seriam remotas".

Candidatos em 2018

Apesar da avaliação sobre dificuldades para Lula, Maia rejeitou antecipar o cenário presidencial do ano que vem, afirmando que, até lá, "ainda faltam 1.000 anos". Ele não descartou, porém, uma candidatura própria do sua legenda, o DEM.

"Primeiro você organiza o partido, vê quais as ideias e depois pensa no nome mais viável. No meu partido, seria o prefeito de Salvador [ACM Neto], mas, até onde eu sei, ele quer ser candidato ao governo da Bahia", disse.

Maia aproveitou para afastar os boatos de que a sua legenda teria buscado o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), para ser o candidato. "Nós não brigaríamos com o PSDB por isso", afirmou.

O deputado ainda citou frases que disse ter lido na imprensa que seriam boas metáforas da movimentação do paulistano em 2016. "Ele correu uma maratona como se fosse uma corrida de 100 metros. É claro que faltaria fôlego", exemplificou.

Sobre outro pré-candidato, Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Maia criticou declaração dada horas antes pelo deputado federal. Também no evento promovido pela revista Veja, Bolsonaro questionou se alguém choraria se a Coreia do Norte jogasse uma bomba e atingisse o Congresso brasileiro. Na avaliação de Rodrigo Maia, o deputado deu uma "declaração perigosa".

Na ocasião, Bolsonaro foi aplaudido ao fazer a declaração. "Temos de tomar cuidado com essas declarações de efeito que geram aplausos", alertou o presidente da Câmara.

Também apontado como pré-candidato, Henrique Meirelles disse que vai decidir se disputa ou não a Presidência da República apenas no final do primeiro trimestre do ano que vem. Para ele, o momento agora é "de estar 100% com a atenção focada na economia". "Esse tipo de decisão não é uma decisão pessoal".

A plateia riu quando Meirelles foi perguntado sobre quem seria seu ministro da Fazenda em um evento governo seu. "Acho que o importante para o país hoje é que, independentemente de nomes, se prossiga a trajetória de reformas".

Meirelles ainda negou que tenha uma agenda de candidato, ao fazer palestras em faculdades e igrejas evangélicas, por exemplo. "É agenda de ministro da fazenda e vou explicar o porquê. Não podemos ter um ministro que fala só com setor empresarial. Importante que se leve essa mensagem ao conjunto da população".

Além do ministro e do presidente da Câmara, também participaram do evento desta segunda o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, o juiz federal Sergio Moro, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o prefeito João Doria, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), a ex-ministra Marina Silva (Rede-AC), e os apresentadores de televisão Jô Soares e Luciano Huck. Segundo a organização, o ex-presidente Lula foi convidado, mas recusou.

* Com Estadão Conteúdo

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