Justiça ganha credibilidade com condenações de políticos no RJ, diz procuradora

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Fernando Lemos / Agencia O Globo

    A Cadeia José Frederico Marques recebe no Rio os presos da Lava Jato, entre eles, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB)

    A Cadeia José Frederico Marques recebe no Rio os presos da Lava Jato, entre eles, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB)

A grave crise econômica que castiga o Rio de Janeiro é decorrente, em proporção considerável, da corrupção na política, segundo a procuradora regional da República Mônica de Ré, integrante do Núcleo de Combate à Corrupção da PRF-2 (Procuradoria Regional da República da 2ª Região).

Num cenário em que caciques do alto escalão da política fluminense estão atrás das grades, alvos da Operação Lava Jato, a prisão e condenação de políticos traz benefícios, de acordo com ela, que não citou nomes.

Algumas dessas pessoas [políticos do RJ], em razão do conjunto probatório, foram condenadas. Só a condenação já tem efeito. É positivo ver que quem cometeu corrupção está sendo preso e condenado. Traz a credibilidade à Justiça.

Mônica de Ré, procuradora regional da República

"Mas precisamos criar uma cultura de intolerância à corrupção, para que não vejamos isso acontecer no futuro", continuou ela, que coordenou no Estado campanha do MPF (Ministério Público Federal) das 10 Medidas contra a Corrupção.

MPF e Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) se juntam, nesta segunda-feira (4), num evento cujo mote é "Educação, sim! Corrupção, não!", a partir das 19h no teatro da universidade. O ato vai marcar o lançamento carioca da campanha #TodosJuntosContraCorrupcao.

"Escolhemos a Uerj porque, infelizmente, ela simboliza a falência do Estado. Nessa crise, professores não recebem e com alunos prejudicados. Isso ameaça o futuro dessas pessoas", afirmou a procuradora.

"Daí a importância de vincular o combate à corrupção com a educação. Uma educação mínima, em termos de formação, é essencial para enfrentar essas questões."

A iniciativa, que é nacional, faz parte do Programa Nacional de Prevenção Primária à Corrupção, cujo objetivo é estimular crianças, adolescentes e adultos --em ambiente escolar, acadêmico ou organizacional-- a terem experiências que envolvam ética e enfrentamento de dilemas reais.

"No evento, vamos mostrar a importância de conscientizar crianças e adultos para se criar uma cultura de combate à corrupção, de promoção de valores de integridade e honestidade para um futuro melhor", afirma a procuradora.

De Ré diz ainda que é preciso uma "alteração no padrão de consciência" em relação à corrupção. "Numa pesquisa feita pelo Ibope em 2006, 75% dos brasileiros disseram que se envolveriam em corrupção, caso ocupassem cargos públicos. Noutra, do Datafolha em 2009, 83% disseram já ter se envolvido em práticas ilegítimas. Outros 27% disseram que não devolveram um troco que veio com dinheiro a mais", enumera ela. 

Pequenos atos que, aliás, também fazem a diferença. "Não se pode ser tolerante em dar um cafezinho para o guarda em troca de não ser multado, em furar fila, naquilo que chamamos de corrupção social", observa De Ré.

"A cultura do 'jeitinho' também contribui. Tendo um 'jeitinho' para coisas que não são crime, se acaba sendo tolerante para pequenas corrupções e grandes corrupções, porque se acha normal tirar vantagem, se beneficiar. Mas, depois, há um susto com a grande corrupção. Mas ela veio de onde? Ocorreu ao longo de quantos anos?", questiona a procuradora.

2018, a batalha final, para a Lava Jato

Procuradores das forças-tarefa da Lava Jato em Curitiba, no Rio de Janeiro e em São Paulo se reuniram na última segunda-feira (27) na capital fluminense para lançar uma carta em que pedem apoio da sociedade à operação. No texto, batizado de "Carta do Rio de Janeiro", os procuradores defendem que a possibilidade da responsabilização de políticos influentes tem unido grande parte da classe política contra a operação, ameaçando as investigações.

"As maiores ameaças à Lava Jato vêm do Congresso Nacional", afirmou Deltan Dallagnol, procurador que está à frente dos investigadores em Curitiba, ao comentar que há muitos políticos investigados e que é natural que exista um instinto de "autopreservação" entre eles.

Para ele, "2018 é a batalha final da Lava Jato porque vai determinar o futuro da luta da corrupção". "As eleições de 2018 determinarão o futuro da luta contra a corrupção do nosso país. Deputados federais e senadores que determinarão se existirão ou não retrocessos na luta contra a corrupção e se existirão reformas e avanços que possam nos trazer um país mais justo com índices efetivamente menores de corrupção e de impunidade", afirmou.

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