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Temer critica "especulação" e hipótese de influenciar Judiciário

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

18/12/2017 14h15Atualizada em 18/12/2017 16h23

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), criticou nesta segunda-feira (18) a hipótese de que ele possa tentar influenciar integrantes de outros Poderes, como o Legislativo e o Judiciário. Ele também afirmou que, em conversas institucionais entre os dois Poderes com o Executivo, tem sido comum a “especulação” sobre o teor e legalidade das conversas.

“Nós aqui hoje no Brasil temos uma preocupação muito grande que, se alguém do Executivo fala com alguém do Legislativo ou do Judiciário, isso já gera uma especulação, o que é desmoralizante para quem ouve. Porque se falo com alguém do Judiciário e sou capaz de influenciá-lo ao ponto de ele mudar a opinião pessoal, jurídica, científica, o que seja, é porque não se presta para o cargo que exerce”, declarou.

"Não são poucas as vezes em que digo que precisamos reinstitucionalizar o país. Certa solenidade, certa cerimônia no trato entre os Poderes é fundamental”, falou.

O presidente defendeu que os Poderes conversem entre si de forma institucional e, inclusive, chamou a relação de “fundamental”, posto que todos são autoridades constituídas. “Temos um dever de olhar para o Brasil, de agir como quem quer o progresso de seu povo”, acrescentou.

Em evento no início do mês em São Paulo, na presença de Temer, o juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da operação Lava Jato na primeira instância em Curitiba, no Paraná, pediu que o presidente interviesse para que o entendimento de que condenados na segunda instância devam ser presos não seja mudado. O assunto foi analisado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em outubro, mas pode ser revisto.

"Mas eu diria que mais que uma questão de justiça, é questão de política de Estado. Eu queria dizer para o presidente Temer utilizar o seu poder para influenciar que esse precedente jurídico não seja alterado", disse Moro na ocasião. O magistrado pediu que Temer tome tal atitude, caso o tribunal mude de posicionamento.

Temer, ao discursar nessa segunda, não citou nominalmente Sergio Moro. Nesta segunda, Temer participou de almoço em homenagem a 18 oficiais promovidos a generais em 25 de novembro na Base Aérea de Brasília.

Ainda no discurso, Temer afirmou respeitar todas as ideias divergentes a seu governo e a imprensa. Na avaliação dele, respeitar opiniões contrárias, por exemplo, é uma forma de respeitar o Brasil.