Presidente interino da Câmara diz que afastaria todos os 12 vice-presidentes da Caixa

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Renato Costa/FramePhoto/Estadão Conteúdo

    O presidente em exercício da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), participa de cerimônia ao lado do presidente Michel Temer no Planalto

    O presidente em exercício da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), participa de cerimônia ao lado do presidente Michel Temer no Planalto

O presidente da Câmara dos Deputados em exercício, Fábio Ramalho (PMDB-MG), declarou nesta quarta-feira (17) que, ao contrário da decisão do presidente Michel Temer (PMDB), afastaria todos os 12 vice-presidentes da Caixa Econômica Federal.

Nesta terça (16), após recomendação do Banco Central, Temer mandou afastar quatro dos 12 vice-presidentes do banco por 15 dias. Os alvos – Antônio Carlos Ferreira (Corporativo), Deusdina dos Reis Pereira (Fundos de Governo e Loterias), Roberto Derziê (Governo) e José Henrique Marques da Cruz (Clientes, Negócios e Transformação Digital) – são investigados tanto pela própria Caixa quanto pelo Ministério Público Federal por suspeitas de terem praticado irregularidades. Os nomes de alguns apareceram em operações da Polícia Federal como a Sépsis, Patmos e Cui Bono?.

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Fábio Ramalho é vice-presidente da Casa e está como presidente em exercício até sexta (19), quando Rodrigo Maia (DEM-RJ) retorna de viagem oficial aos Estados Unidos e ao México.

"Eu teria tirado os 12 [vice-presidentes]. Mas não sou eu quem tiro. Se eles tiraram os quatro é porque avaliaram que tem que sair quatro. Eu colocaria toda essa questão bancária, todos os bancos estatais [sic], só técnicos", declarou.

Ramalho disse que a medida de Temer foi "certa", mas deveria a ter tomado "desde o início". Para ele, os bancos deveriam ser formados apenas por pessoas técnicas.

"Não só da Caixa, mas de todos os bancos. O Banco do Brasil hoje, se não me engano, está quase todo técnico. Ele está funcionando muito bem, a Caixa também. Mas chegou o momento de fazer uma reforma total. Vamos mostrar para o Brasil que a gente quer técnicos funcionando nos lugares que têm de ser técnicos. Político que tem que funcionar na política", disse.

Pedido de afastamento de 12 vice-presidentes chegou a ser feito

Outro pedido de afastamento, mas que englobava todos os 12 vice-presidentes, havia sido feito pela Procuradoria da República no Distrito Federal em dezembro do ano passado, mas não foi atendido. Em 8 de janeiro, o Planalto informou que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, não teria competência para analisar o tema e que o ato caberia ao Ministério da Fazenda.

A Procuradoria também pediu que o banco crie uma nova maneira de selecionar funcionários do alto escalão para "maior independência e transparência" e melhore a documentação de atos, entre outros pontos.

A Caixa tem em cargos de confiança pessoas indicadas por partidos políticos e que ajudam a manter a base aliada de Michel Temer no Congresso Nacional, como PP – sigla de Occhi –, PMDB e PR.

Um ex-vice-presidente da Caixa foi o ex-ministro da Secretaria de Governo de Temer, Geddel Vieira Lima, preso em setembro do ano passado após a descoberta de apartamento em Salvador (BA) onde guardava malas com mais de R$ 50 milhões, segundo a Polícia Federal. A prisão aconteceu em uma fase da operação Cui Bono? que apura supostos esquemas de corrupção em vice-presidências da Caixa entre 2011 e 2013.

Há suspeitas de que parte do dinheiro encontrado no apartamento esteja relacionada a pagamentos de propina para a liberação de financiamentos e empréstimos pelo banco.

O atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, também foi vice-presidente da Caixa no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O vice-presidente afastado Antônio Carlos Ferreira tem a conduta investigada no Conselho de Ética da Presidência após ser citado na delação premiada do dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, como intermediador de propina para o ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira – presidente nacional do PRB. O processo está em análise no colegiado. Ambos os envolvidos negam quaisquer irregularidades.

Outro lado

A Caixa informou "que irá cumprir as determinações da Presidência da República". O banco, no entanto, não se manifestou sobre o questionamento da reportagem acerca da permanência de Occhi no cargo, uma vez que ele também foi citado em delações premiadas e é investigado. 

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a decisão final sobre um possível afastamento definitivo será tomada pelo Conselho da Caixa. Segundo ele, o afastamento por 15 dias atende plenamente ao pedido do Banco Central. Sobre o fato de não terem afastado todos os vice-presidentes conforme recomendou o Ministério Público, Meirelles respondeu que os vices envolvidos nos supostos esquemas de corrupção foram licenciados.

"Isso é um processo normal. Agora, vamos levar em consideração que essas medidas do presidente estão atendendo a uma recomendação e a uma medida, digamos, em caráter de urgência", falou, ao ressaltar que o Conselho assumirá "total controle" sobre a nomeação e exoneração de vice-presidentes e outros executivos após aprovação de novo estatuto interno.

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