Balanço de 1 ano: Crivella culpa Paes, pede desculpas por falhas e diz questionar Deus sobre eleição em 'tempo tão difícil'

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Gabriel de Paiva/Agência O Globo

    22.jan.2018 - Crivella falou sobre seu 1º ano de gestão na Cidade das Artes, zona oeste

    22.jan.2018 - Crivella falou sobre seu 1º ano de gestão na Cidade das Artes, zona oeste

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), voltou nesta segunda-feira (22) a atribuir ao antecessor, Eduardo Paes (PMDB), parcela significativa de culpa pela escassez de recursos no caixa municipal. Em evento em que apresentou o balanço de um ano de gestão, quase todos os discursos --incluindo o dele-- mencionaram direta ou indiretamente a gestão anterior, criticada por ter cancelado empenhos e contratado empréstimo no fim de 2016. O deficit deixado, segundo o atual governo, foi de R$ 3,8 bilhões.

Essa não é a primeira vez que Crivella ataca o peemedebista. No começo do ano passado, os dois trocaram farpas por meio de artigos na imprensa e publicações nas redes sociais. Na ocasião, Paes negou por diversas vezes ter deixado dívidas para o sucessor e alegou que as contas de governo foram aprovadas pelo TCM (Tribunal de Contas do Município).

No evento desta segunda, Crivella também admitiu que ocorreram "falhas de comunicação" ao longo de 2017, pelas quais pediu desculpas aos cariocas. No entanto, ele não enumerou as "falhas" a que se referia.

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"Quero também pedir desculpas para a população do Rio. Por todos os transtornos que, devido à nossa inexperiência, não fomos capazes de prevenir e evitar. Pelas falhas na comunicação, que causaram dúvidas e confusões tão exploradas nos sites. Pelos momentos difíceis na área da saúde, quando faltaram recursos para atender a uma demanda que não sabíamos que seria tão grande"

O prefeito, que também é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, revelou já ter perguntado a Deus sobre o motivo de sua vitória eleitoral em "tempo tão difícil" para o Rio.

Eu confesso a vocês que muitas vezes eu perguntei a Deus: o que o Senhor viu em um obscuro, um anônimo, em um dos últimos... O que Deus viu em mim para me dar o privilégio e a honra de poder servir a cidade do Rio de Janeiro em um tempo tão difícil?

No evento realizado na Cidade das Artes, na zona oeste carioca, Crivella afirmou que nunca foi tão criticado, mas ponderou que os comentários e opiniões a respeito da gestão levaram a mudanças em seu primeiro ano à frente da administração municipal.

"A população do Rio acreditou na administração e não faltou nos momentos mais difíceis, inclusive com suas críticas, que são tão valiosas para retomarmos ou fazermos as necessárias mudanças no curso da nossa gestão eficiente. Aliás, eu nunca fui tão criticado na minha vida. Agradeço muito a eles por essa distinção."

Crivella mencionou algumas das viagens internacionais que fez no ano passado, quando fez visitas oficiais à Holanda, China, Rússia e França. "Preciso prestar contas", comentou ele, mas sem entrar em detalhes sobre os valores gastos. Ele se limitou a dizer que aproveitou as agendas para negociar com empresas estrangeiras e tentar captar novos investimentos.

Austeridade

Entre os pontos positivos da gestão, Crivella destacou medidas de austeridade financeira que, segundo a secretária de Fazenda, Maria Eduarda Gouvêa Berto, foram fundamentais para que o município fechasse 2017 com os salários dos servidores em dia.

A previsão do começo do ano passado era de que, em razão da crise, a prefeitura pudesse atrasar o pagamento da folha a partir de agosto.

O balanço mostra que o Rio começou 2017 com R$ 900 milhões de custos não previstos. "Infelizmente, o ano [de 2017] já começa com um enorme desafio por ser um ano pós-olímpico, com uma série de empenhos e serviços que foram cancelados. Entramos no negativo em R$ 900 milhões."

Maria Eduarda mencionou a redução de secretarias (de 35 para 11) e o corte de 1.500 cargos políticos como exemplos de ações que ajudaram a dar sobrevida ao caixa municipal. De acordo com os números do governo, de janeiro a outubro do ano passado, a prefeitura conseguiu economizar quase R$ 1 bilhão eliminando despesas de custeio --em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O estudo sinaliza também que o governo municipal teria, em 2017, cumprido praticamente metade das promessas feitas no início da gestão, com 31% de compromissos parcialmente cumpridos e 23% de ações que não foram realizadas.

Entre as promessas que ficaram apenas no papel, estão a injeção de R$ 250 milhões anuais na área da saúde e a garantia para que, em cooperação com o governo do Estado, a estação de metrô da Gávea, na zona sul carioca, estivesse funcionando até dezembro.

Além de Crivella e da secretária de Fazenda, discursaram durante o evento a subsecretária de Planejamento e Gestão Governamental, Aspásia Camargo, e o novo secretário da Casa Civil, Paulo Messina. Coube ao presidente da Riotur, Marcelo Alves, conduzir os trabalhos.

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