Topo

Lewandowski homologa delação de marqueteiro do MDB do Rio

Paula Giolito 26.out.2014/Folhapress
Renato Pereira, marqueteiro do governador Luiz Fernando Pezão, no escritório da agência Prole, no Rio Imagem: Paula Giolito 26.out.2014/Folhapress

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

13/03/2018 15h52Atualizada em 13/03/2018 17h45

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) homologou nesta terça-feira (13) o acordo de delação premiada do marqueteiro Renato Pereira, responsável por campanhas de políticos do MDB do Rio de Janeiro.

A decisão foi tomada após a PGR (Procuradoria-Geral da República) realizar ajustes nos termos do acordo.

Em novembro, o ministro recusou a homologação, apontando discordâncias com cláusulas do acordo.

O processo está sob sigilo. 

O que diz a delação

Em sua tratativa de delação, segundo reportagem do jornal "O Globo", Pereira afirma que campanhas do governador do Rio Luiz Fernando Pezão, do ex-governador Sergio Cabral e do ex-prefeito Eduardo Paes, todos do MDB, receberam pagamentos em dinheiro fora da contabilidade oficial para campanhas políticas, o chamado caixa dois.

O marqueteiro afirmou nos depoimentos, segundo o jornal, que ele ou seus sócios recebiam dinheiro em malas e sacolas de emissários dos políticos ou de representantes de empresas contratadas pelo governo estadual ou municipal.

Nos anexos da delação, espécie de capítulos sobre grupos de fatos suspeitos, Pereira aponta irregularidades nas campanhas de Cabral ao governo do Estado em 2010, de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio em 2012, do deputado federal Pedro Paulo (PMDB-RJ) à Prefeitura do Rio em 2016, da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) à Prefeitura de São Paulo e das duas campanhas do prefeito de Niterói (RJ), Rodrigo Neves (PV).

O marqueteiro também aponta suspeitas de irregularidades em licitações no governo e na prefeitura do Rio de Janeiro e nas prefeituras de Niterói e São Gonçalo, também no Rio.

Outro lado

O governador Luiz Fernando Pezão afirmou, por meio de nota, que as doações de campanha foram declaradas oficialmente.

“Todas as doações de campanha foram feitas de acordo com a Justiça eleitoral. A seleção de agências de publicidade é feita pelo governo do estado por intermédio de licitação pública”, diz a nota.

A reportagem do UOL não conseguiu entrar em contato com a defesa de Cabral, que está preso por ordem do juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Lava Jato no Rio de Janeiro.