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Em Curitiba, maior ato de centrais em 35 anos foca em eleição e "Lula livre"

Manifestantes fazem ato nos arredores da Polícia Federal na capital paranaense, onde Lula está preso - Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Manifestantes fazem ato nos arredores da Polícia Federal na capital paranaense, onde Lula está preso Imagem: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo*

01/05/2018 04h00Atualizada em 01/05/2018 12h50

Considerada a maior celebração de 1º de Maio dos últimos 35 anos no Brasil, a festa pelo Dia do Trabalhador que unificará sete centrais sindicais nesta terça-feira, em Curitiba, promete ser um ato político, com foco na situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nas eleições para a Presidência e o Congresso em outubro.

Além de abraçar a bandeira “Lula Livre”, o evento promete também propor ao público presente o voto em políticos que ajudem a pautar, na Câmara e no Senado, propostas que contraponham a retirada de direitos ou mesmo a revogação de medidas consideradas perniciosas aos trabalhadores, especialmente a reforma trabalhista. O tom da festa, por sinal, deverá pautar também a conversa das centrais com os presidenciáveis –apenas dois deles, no entanto, haviam confirmado presença no ato da capital paranaense até a noite dessa segunda (30): Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL).

Pela manhã, centenas de pessoas se reuniram nas proximidades da Polícia Federal, onde Lula está preso. Segundo a Polícia Militar, 2 mil pessoas estiveram no local para o chamado “Bom dia, Lula” e para uma celebração ecumênica. 

O ato será na praça Santos Andrade, onde Lula fez discursos em março deste ano, durante sua caravana pelo sul, e em maio de 2017, após o primeiro depoimento ao juiz federal Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá --processo pelo qual o petista foi condenado e cumpre a pena de 12 anos e um mês de prisão na Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, desde o último dia 7.

"Lula é preso político", diz presidente da CUT

UOL conversou com representantes de três centrais sindicais que estarão unificadas em Curitiba: UGT (União Geral dos Trabalhadores), CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Força Sindical.

“É o maior ato desde a criação da CUT [em 1983], um momento histórico em que adotaremos três tônicas: a defesa dos direitos dos trabalhadores, contra as reformas trabalhista e previdenciária; a defesa da democracia, contra os atos fascistas sobre a caravana de Lula [o ataque a tiros em março a um ônibus, no Paraná] e sobre o acampamento em Curitiba [em que duas pessoas foram baleadas no fim de semana]; e Lula livre, porque ele é um preso político e tem o direito de disputar as eleições”, afirmou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.

De acordo com o dirigente, a inclusão do ex-presidente petista na pauta não desvirtua o propósito do ato, já que o PT “sempre fez parte das manifestações pelo 1º de Maio”. A direção nacional do partido e as lideranças na Câmara e no Congresso, bem como políticos de outras legendas da esquerda, estarão presentes.

Indagado se outros presidenciáveis serão bem vindos ao ato, o presidente da CUT foi taxativo: “Não há problema algum de estarem no palanque, desde que defendam os três pontos que defendemos”, afirmou.

Os petistas Fernando Haddad e Jaques Wagner, que costumam ser cotados nos bastidores como possíveis candidatos do partido caso Lula não possa disputar a eleição, também vão comparecer.

Ainda segundo a CUT, houve um convite ao PDT e seu pré-candidato a presidente, Ciro Gomes, para que participassem do ato em Curitiba. No entanto, até o começo da noite passada, não havia resposta.

1º.mai.2016 - Força Sindical realiza evento para marcar o Dia do Trabalho no Campo de Bagatelle, na região de Santana, em São Paulo. Vários participantes erguem cartazes com a frase "Tchau, querida!" em alusão ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os organizadores esperam a presença de cerca de 1 milhão de pessoas, mas não estimaram quantas já chegaram ao evento. A Polícia Militar só divulgará seus números à tarde - Mário Ângelo/SigmaPress/Estadão Conteúdo - Mário Ângelo/SigmaPress/Estadão Conteúdo
Ato da Força Sindical no 1º de Maio de 2016 teve placas com a frase "Tchau, querida!" em alusão ao processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT)
Imagem: Mário Ângelo/SigmaPress/Estadão Conteúdo

Força: ato em Curitiba quer pautar debate com candidatos

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, o evento deverá servir não somente para reforçar a pauta contrária às reformas no formato defendido (caso da previdenciária) ou aprovado (caso da trabalhista) pelo governo de Michel Temer (MDB), como para pautar o debate com os candidatos às eleições gerais de outubro.

“Esperamos que as bandeiras e reivindicações debatidas em Curitiba estejam também no debate dos candidatos a presidente – com foco em crescimento econômico, mas também com investimento em áreas sociais e em valorização do salário mínimo”, afirmou Juruna. “E Lula é um símbolo não apenas pela situação arbitrária da prisão dele, mas porque, como presidente, conseguiu governar unindo gente diversa com esse tipo de agenda”, completou.

Perguntado se o fato de lideranças da Força –como o presidente nacional, o deputado federal Paulinho da Força (SD) —terem apoiado o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a consequente posse de Temer, defensor das reformas combatidas pelas centrais, não causa saia-justa em um ato agora unificado, o dirigente minimizou: “Desde o começo do ano passado as centrais estão juntas, solidariamente, na luta contra as reformas e na greve geral, por exemplo. A questão do impeachment já foi superada; a pauta agora é unitária.”

UGT: evento falará sobre "Congresso retrógrado"

O presidente nacional da UGT, Ricardo Patah, afirmou que o ato na capital paranaense “é somatória”.

“Cada central tem uma pauta mais ou menos específica, mas o mais importante é que, só pelo fato de estarem todas no mesmo palanque, de forma solidária e unida, há uma clara e fundamental indicação de que juntos temos muito mais capacidade de superar essa crise que há no mundo do trabalho e sobre a legislação trabalhista – sobretudo com ataques ao movimento sindical”, definiu.

Conforme o dirigente, o recado ao público focará também a eleição para a Câmara e o Senado -- ainda que isso não signifique defesa à renovação nas duas casas legislativas.

“O atual Congresso é pior que já tivemos. Mais que falar em renová-lo, precisamos mudar as linhas que esse Congresso retrógrado trouxe ao nosso país no sentido de desconstruir a Constituição de 1988”, pontuou Patah.

Atos regionais estão mantidos

Além das três centrais, o ato em Curitiba reúne também o CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) e a Intersindical.

O ato começa às 14h e vai até as 18h, com discursos políticos e shows de artistas como Beth Carvalho, Ana Cañas, Flávio Renegado e Maria Gadu. É cogitado também um vídeo com uma mensagem de Lula à plateia –até ontem, a organização buscava viabilizá-lo com imagens de arquivo.

Além de Curitiba, Força e CUT realizam também atos regionais por suas diretorias estaduais. Em São Paulo, o ato da Força será de manhã, na Praça Campo de Bagatelle (zona norte), com shows e sorteio de prêmios. O da CUT será à tarde, na Praça da República (centro), com programação semelhante. A UGT promove uma exposição sobre emprego com cartazes na avenida Paulista, a partir do próximo dia 9, a exemplo de anos anteriores.

* Colaborou Bernardo Barbosa, do UOL, em Curitiba, e informações do Paraná Portal

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