Balanço de dois anos de governo Temer tem clima de "contagem regressiva"

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

A cerimônia de balanço dos dois anos de governo do presidente Michel Temer (MDB) realizada nesta terça-feira (15) no Palácio do Planalto teve clima de contagem regressiva para o fim do mandato, em 31 de dezembro deste ano. Em discurso de aproximadamente uma hora, o presidente citou ações e resultados do governo federal desde maio de 2016, quando assumiu a Presidência com o afastamento inicial de Dilma Rousseff (PT), de quem era vice.

Temer falou que sua gestão tem apenas mais sete meses pela frente, mas declarou que o governo não ficará parado. "Nós fizemos este encontro para também fazer uma prestação de contas. Não se trata de uma comemoração, porque nós temos muito ainda a fazer, não é? Temos sete meses pela frente, temos muito o que fazer e podemos fazer. Ora bem, se fizemos em dois anos tudo isso que nós fizemos, em sete meses, nós vamos fazer pelo menos um terço de tudo aquilo que foi feito nesses dois anos", declarou.

O emedebista evitou dizer que o encontro era uma comemoração, e a chamou de "reunião de trabalho". Ele disse que foram dois anos de "muito trabalho, mas também de muitas realizações". "Dois anos de muita luta, mas também, graças a Deus, de muitas vitórias", ressaltou.

Com o slogan "O Brasil Voltou", a solenidade contou com a presença de ministros, ex-ministros, parlamentares aliados no Congresso Nacional, presidentes de estatais e auxiliares. Temer chegou ao salão nobre do Planalto, onde a reunião foi promovida, acompanhado de assessores e políticos, como o ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), e um dos vice-líderes do governo na Câmara, Darcísio Perondi (MDB-RS).

Em convite do cerimonial, o Planalto havia escrito como slogan "O Brasil voltou, 20 anos em 2", mas, devido a possíveis interpretações dúbias, como a de que o país regressou ao patamar de 20 anos atrás sem a vírgula, preferiu modificar a frase.

O presidente lembrou de quando sua cúpula assumiu o Planalto e disse que isso só foi possível por terem um "plano" – se referindo ao documento "Ponte para o Futuro" do MDB – e "coragem" para colocar objetivos e estratégias em práticas, não apenas "desejos". Segundo ele, o lema de ordem e progresso é "aparentemente trivial", mas era o que o Brasil pedia e o povo queria.

Os temas abordados ao longo do discurso foram economia, educação, saúde, meio ambiente, infraestrutura, segurança pública e agropecuária. Ele evitou citar críticas e polêmicas ocorridas no decorrer de seu mandato e não fez menção ao combate à corrupção. Desde que tomou posse do cargo, Temer foi alvo de duas denúncias da PGR (Procuradoria-Geral da República) e é investigado em dois inquéritos.

No discurso, Temer voltou a falar da necessidade de se pacificar o país e não deixar que as pessoas se voltem umas contra as outras por divergências políticas. Ao citar eleições de outubro deste ano, disse que todos devem ir em busca do bem comum.

Mais cedo, o Palácio do Planalto distribuiu livreto intitulado "Avançamos – 2 anos de vitórias na vida de cada brasileiro" em que apresenta "ações e resultados de 2016 a 2018". Na maior parte do livreto, o Planalto exalta a retomada do crescimento econômico e ações na área social. Em certos trechos, as informações são parciais e mostram somente lados positivos de índices, como no da geração de empregos de carteira assinada.

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