Operação Lava Jato

Na 1ª ação da Lava Jato julgada no STF, ministros formam maioria por condenação de deputado

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Lula Marques/Folhapress

Em julgamento retomando na tarde desta terça-feira (29), a maioria dos ministros da 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) votou a favor da condenação do deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) por corrupção e lavagem de dinheiro. Esta é a primeira ação penal da Operação Lava Jato a ser julgada na Corte.

O julgamento ainda não foi encerrado. Na semana passada, os ministros Edson Fachin, relator do processo, e Celso de Mello, revisor da ação, votaram pela condenação. Nesta terça-feira, Dias Toffoli seguiu os colegas formando o placar de 3 a 0. Ainda faltam votar os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

Filhos do deputado, Nelson Meurer Júnior e Cristiano Augusto Meurer também são réus na ação.

Segundo a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), Meurer foi um dos integrantes do PP que deram sustentação política à permanência de Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras, em troca de repasses ilegais de empresas beneficiadas com contratos com a estatal.

De acordo com a denúncia, o deputado recebeu R$ 29 milhões do esquema por meio de repasses mensais de R$ 300 mil. Ele também foi acusado pela Procuradoria de receber R$ 4,5 milhões para sua campanha à Câmara em 2010.

Sobre essa última acusação, os três ministros afirmaram que há provas apenas de irregularidade em R$ 500 mil em doações oficiais de uma empreiteira ligada ao esquema de corrupção, e absolveram Meurer da acusação de ter recebido R$ 4 milhões em dinheiro.

Os ministros também afirmaram que não há provas de todos os supostos repasses irregulares apontados na denúncia contra o deputado, e votaram a favor de absolvê-lo em parte das acusações.

Em seu voto, Toffoli votou pela condenação de Meurer, mas foi favorável à absolvição do deputado apenas sobre a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro ligada à doação eleitoral de R$ 500 mil.

"Em minha compreensão não há prova suficiente de que a doação eleitoral oficial venha constituir circunstância modal do crime de corrupção passiva", disse o ministro Dias Toffoli.

À reportagem do UOL, Meurer afirmou na segunda-feira (21) que não cometeu crimes e disse aguardar com tranquilidade a decisão. "Eu estou tranquilo, porque não cometi nenhum ato ilícito, e confio na Justiça", afirmou.

A defesa de Meurer afirma que o deputado é inocente e que a acusação se baseia apenas na palavra de delatores. "É preciso que se tenha prova. Punir somente com a palavra de delatores, e delatores que se contradizem?", afirmou o advogado Michel Saliba Oliveira, durante a primeira parte do julgamento no STF, na semana passada.

"As únicas provas trazidas a esse respeito são de delatores, réus, e aí se aplica o precedente dessa Corte, de que não valem para condenação", disse o advogado Alexandre Jobim, também defensor de Meurer e dos filhos.

Durante a primeira sessão de julgamento um dos argumentos da defesa de Meurer foi o de que, apesar de ter ocupado a liderança do PP na Câmara, Meurer não exerceria influência sobre o partido.

Primeira ação da Lava Jato julgada no STF

O processo contra Meurer é a primeira ação penal da Lava Jato a ser julgada pelo STF. O caso chegou ao STF há 3 anos e 2 meses, quando o inquérito foi aberto em março de 2015. A ação penal contra o pepista foi instaurada há dois anos e seis meses, em outubro de 2015.

Há ao menos 62 inquéritos e seis ações penais em andamento ligadas à Lava Jato no STF, segundo os últimos dados divulgados pelo tribunal, em fevereiro.

No Supremo, os primeiros pedidos de investigação contra políticos com foro privilegiado foram apresentados ao STF em março de 2015, caso do inquérito contra Meurer.

Na 1ª instância da Justiça Federal, a operação soma 203 condenações, contra 132 pessoas, cujos processos foram julgados pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. A primeira fase da operação foi realizada em março de 2014.

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