Moreira nega interferência em demissão de Parente e defende ação para atenuar preços em postos

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Foto: Divulgação / MDB

    O ministro Moreira Franco, do Ministério de Minas e Energia defende autonomia para a Petrobras

    O ministro Moreira Franco, do Ministério de Minas e Energia defende autonomia para a Petrobras

O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, negou ao UOL nesta sexta-feira (1º) ter interferido na demissão do presidente da Petrobras, Pedro Parente. Mais cedo, Parente entregou carta de demissão ao presidente da República, Michel Temer (MDB), em uma reunião no Palácio do Planalto.

"Não tive nenhuma interferência sobre a decisão do Pedro", afirmou. Ele disse também não acreditar que Parente tenha afirmado nos bastidores que estaria sofrendo interferências políticas na estatal. Moreira disse conhecer Parente "há muitos anos".

Em carta entregue a Temer, Parente diz que sua saída é "irrevogável" e que sua "permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente".

Leia também:

Pressionado pela atuação da Petrobras na crise com os caminhoneiros, o executivo deixa o comando da estatal exatamente dois anos após sua posse, em 1º de junho de 2016, no início do governo Temer.

Petrobras no centro das críticas

A demissão de Parente acontece no fim da greve dos caminhoneiros contra a alta dos preços do diesel. A paralisação durou 11 dias e causou desabastecimento generalizado de produtos e serviços no país todo, além de perdas bilionárias à economia.

A Petrobras foi criticada por ter adotado nova política de preços em julho do ano passado. Desde então, os reajustes nos preços têm sido mais frequentes, ocorrendo inclusive diariamente, porque as variações nas cotações do dólar e do petróleo no mercado internacional são levadas em consideração.

A nova metodologia foi recebida por investidores do setor como positiva para a recomposição do caixa da Petrobras, após anos de prejuízos. Por outro lado, esse aumento da matéria-prima e a recente alta do dólar fizeram com que os reajustes levassem a uma disparada nos preços dos combustíveis no mercado interno.

De julho do ano passado até antes da greve, o preço do diesel nas refinarias acumulou alta de 57,78%, e a gasolina, de 57,34%. A inflação oficial no Brasil acumulada entre julho de 2017 e abril de 2018 (último dado disponível) foi de 2,68%.

Variação de preços

Questionado pelo UOL se defende a atual política de preços da Petrobras, Moreira Franco afirmou que a empresa deve ter "autonomia para definir a sua política de preço".

No entanto, ele defendeu que o governo federal crie um "mecanismo – usado em outros países – para mitigar a variação dos preços dos combustíveis nas bombas" dos postos. Assim, o preço final à população seria atenuado.

A política não seria apenas para o diesel, como a solução encontrada para a greve dos caminhoneiros, mas para todos os combustíveis.

Nesta sexta-feira (1), logo após a demissão de Parente, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, disse que a proposta do governo deve ser apresentada até o final do ano. No entanto, sua implementação e eventual continuidade também depende do próximo presidente da República, a ser eleito em outubro deste ano.

Sem comentários

No início da tarde, em entrevista coletiva organizada para falar sobre os cortes em ministérios para permitir o desconto de R$ 0,46 no preço final do diesel, os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Carlos Marun, se recusaram a comentar a demissão de Parente.

Padilha limitou-se a dizer que o assunto está sendo tratado pelo presidente Michel Temer.

"A questão Petrobras e Pedro Parente é uma questão que está sendo tratada pela Presidência da República e qualquer comentário nosso sobre esse tema só poderia prejudicar essa tratativa neste momento. Portanto, pedindo escusas, nós vamos remeter à Presidência da República essa questão", disse.

Até o momento, a Presidência da República não se pronunciou.

Na última segunda-feira (28), ainda durante a greve de caminhoneiros, Eliseu Padilha afirmou não estar "na pauta sequer analisar a possibilidade de Pedro Parente deixar de ser presidente da Petrobras", como defendia parte dos políticos da base aliada e da oposição.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos