Operação Lava Jato

Lula preso e líder nas pesquisas é "enigma da Lava Jato", diz Gilmar Mendes

Do UOL, em São Paulo

  • Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta quinta-feira (14) que a operação Lava Jato "produziu um enigma" com a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenções de voto ao Planalto, mesmo que ele esteja preso.

"Isso é um milagre da Lava Jato, talvez também é um enigma que ela produziu", disse ao jornalista Roberto D'Ávila, na GloboNews, em programa exibido na noite desta quinta.

Ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar afirmou que a situação do petista provoca uma confusão na disputa eleitoral. "Eu disse até outro dia para jornalistas portugueses que o diabo nos preparou um coquetel com toda essa confusão."

Na avaliação do ministro, é necessário "decifrar o enigma" que mantém Lula à frente nas pesquisas ao mesmo tempo que a população pede por candidato sem máculas da corrupção.

"Poucos políticos candidatos a presidente, o líder da pesquisa com 30% de apoio e algo irredutível, apesar de todas as revelações, informações e até de um certo massacre midiático. E quando se pergunta o que as pessoas querem, elas respondem que não querem candidato envolvido com corrupção. Não obstante, eles apontam o ex-presidente Lula. Então, esse é um enigma que nós precisamos decifrar", comentou.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 10 de junho, Lula lidera a corrida eleitoral com 30% das intenções de voto. De acordo com o instituto, mais de um terço dos eleitores se dizem sem opção ao analisar cenários em que o petista fica fora do páreo.

Gilmar assumiu que desaprovava o governo Lula. "Talvez tenha sido uma das poucas vozes do universo brasileiro como um todo que criticou fortemente o governo do PT e que criticou o presidente Lula. Teve um momento que ele foi canonizado, com mais de 82% de aprovação. Não obstante, eu apontava os seus desvios", disse.

Gilmar defende habeas corpus no Rio

Gilmar Mendes defendeu "razões concretas" para efetuar prisões preventivas, ao ser questionado se atuava de maneira "liberal" por ter concedido uma série de habeas corpus de investigados na Lava Jato no Rio.

Em 30 dias, o ministro revogou 21 prisões decretadas pelo juiz Marcelo Bretas. Gilmar argumentou que os acusados devem ficar em liberdade, pois os crimes aconteceram anos antes das investigações, sem violência física.

Na entrevista desta quinta, o ministro justificou que as prisões não podem ser fundamentadas "genericamente". Segundo ele, há "exigências muito estritas" para o decreto da prisão preventiva. "É necessário que de fato se tragam razões concretas. Fatos de 2011 não valem para justificar", pontuou.

Gilmar exemplificou que situações como destruição de provas, ameaça à testemunha e tentativa de fuga seriam elementos concretos para o decreto da prisão preventiva ou provisória.

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