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Vice de Bolsonaro critica ação da coligação de Ciro e diz que 'brasileiro está cansado do caos'

Suamy Beydoun - 18.set.2018/Agif/Estadão Conteúdo
Imagem: Suamy Beydoun - 18.set.2018/Agif/Estadão Conteúdo

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

31/10/2018 15h47

A defesa do vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), apresentou uma contestação ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a ação da coligação do presidenciável derrotado Ciro Gomes (PDT) para anular a eleição. No documento, protocolado na terça-feira (30), os advogados do militar disseram que o processo teve como objetivo criar um “fato político” para o pleito.

“Resta claro que a parte autora [coligação de Ciro] está criando uma situação política, vez que não aceita o fato de o brasileiro estar cansado de votar naqueles que tiveram suas oportunidades e não tiveram resultados satisfatórios ou esperados pela população”, traz o documento.

“O brasileiro está cansado do caos que se instalou no Brasil em decorrência dos inúmeros escândalos de corrupção”, complementa.

Procurada pela reportagem, a defesa da coligação de Ciro ainda não se manifestou.

A uma semana do segundo turno, realizado no último domingo (28), a coligação “Brasil Soberano”, de Ciro Gomes, apresentou uma AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) com base em reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” que apontou que empresas estariam comprando disparos em massa de mensagens contra o PT distribuídas via WhatsApp.

A divulgação de mensagens teria como objetivo beneficiar a candidatura de Bolsonaro.

A coligação de Ciro pede a anulação da disputa presidencial porque haveria indícios de que o resultado do primeiro turno foi influenciado pela disseminação de mensagens com notícias falsas.

Para a campanha do pedetista, houve a prática de caixa dois no esquema. Além de anular a eleição, a coligação pede que Bolsonaro e Mourão sejam declarados inelegíveis pelo TSE.

Se a Justiça Eleitoral tivesse acolhido o pedido antes da eleição de domingo (28), Ciro Gomes, terceiro colocado no pleito, poderia ter disputado o segundo turno contra Fernando Haddad (PT).

O pedido do PDT, porém, já foi negado em decisão liminar pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Jorge Mussi.

A defesa de Mourão agora pede que a PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral) averigue "condutas ilegais e dolosas praticadas" pela coligação de Ciro, "tendo em vista a gravidade das acusações deduzidas de forma temerária ou de má-fé".

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Ao solicitar que a ação seja negada em definitivo, a defesa de Mourão diz que a coligação de Ciro não apresentou provas no processo. “Por isso, sua tese não se sustenta, eis que baseada em uma matéria jornalística publicada pela ‘Folha de S.Paulo’, cujo documento sequer foi carreado aos autos”, dizem os advogados.

“A coligação autora restringiu-se a levantar um fato político a partir de uma mera reportagem jornalística, sem o mínimo embasamento probatório, não havendo sequer o apontamento das suportas condutas ilícitas praticadas por cada um dos réus e de que forma eles contribuíram ou anuíram com o suposto abuso de poder econômico”, apontaram os defensores.

Os advogados de Mourão, então, levantam suspeitas contra a coligação de Ciro, dizendo que a meta dela era fazer “uma manobra para tumultuar o pleito”, tirando sua “legitimidade”.

Outro objetivo seria “denegrir” a imagem de Bolsonaro e do vice, “de forma a colocar em xeque a honestidade e a reputação ilibada dos candidatos investigados, já que estas são características fundamentais de Jair Bolsonaro e General Mourão, características que lhes renderam grande adesão dos eleitores”.

A defesa também comemorou a vitória na disputa presidencial. “É forçoso concluir que o resultado do pleito apenas confirmou o anseio dos brasileiros, que legitimamente compareceram às urnas e fizeram prevalecer o Estado Democrático de Direito!”, escreveu. 

“O voto em Bolsonaro e Mourão é um voto de quem quer mudança e de quem não aguenta mais assistir os erros dos governos anteriores. A campanha dos candidatos réus foi aderida de forma gratuita e espontânea por milhões de brasileiros que têm sede de renovação, tanto é verdade, que como sabido, o grito que mais se ouve nas ruas, quando o assunto é Jair Bolsonaro e General Mourão é: ‘eu vim de graça’”, complementa.

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